DELEGAÇÃO:
UMA AUTO-ANÁLISE
L.A.Costacurta Junqueira -
Vice-presidente do Instituto MVC
Delegação é um conceito aparentemente claro, mas que, na
prática, poucas pessoas aplicam. O desejo manifesto de delegar normalmente não
corresponde a uma efetiva ocorrência de delegação, especialmente em tempos de crise,
quando a centralização decisória tende a predominar. Dentro dessa linha, cremos que
vale a pena examinar algumas das motivações positivas e/ou negativas da delegação.
Elas funcionam como elementos facilitadores ou obstáculos ao processo.
MOTIVAÇÕES:
POSITIVAS: Treinar subordinados; motivar subordinados; obter tempo para tarefas
mais nobres; aumentar a iniciativa dos subordinados; desenvolver a criatividade.
NEGATIVAS: Não gostar de tarefa; transferir tarefas
com resultados que demoram a acontecer; delegar função de apreço pessoal pelo
subordinado, não levando também em conta a competência; delegar por não conseguir
executar a tarefa em tempo hábil.
É sempre bom lembrar que a tese por trás da delegação
é a de transferir tarefas mais programáveis, picotadas, repetitivas, rotineiras, para
liberar o Executivo/Gerente para atividades criativas, não-programáveis, que demandem
maior concentração de tempo e profundidade de análise.
Outra questão envolvida com o ato de delegar e que vem
causando grandes problemas é delegação de responsabilidade desacompanhada de
autoridade.
Tudo pode ser feito pelo delegado, mas nada é decidido por ele. Quando isto ocorre, é
comum aparecerem problemas como expectativas não realistas de parte a parte,
interrupções freqüentes, conflitos interpessoais, e, conseqüentemente, maior perda de
tempo.
NÍVEIS DE DELEGAÇÃO
Há seis níveis para delegação de autoridade. Cada um
deles possui diferentes implicações para o tempo do Executivo.
Convidamos o leitor a analisar suas delegações, procurando enquadrá-las em cada um dos
estágios ou graus de autoridade a seguir exemplificados:
1. "Vá em frente: nenhum contato comigo é
necessário".
2. "Vá em frente: 'me informe' o que você fez"
3. "Vamos ver isso juntos: mantenha-me informado do que você pretende fazer; vá
fazendo tudo, a menos que eu diga não"
4. "Vamos ver isso juntos: mantenha-me informado do que você pretende fazer; não
faça nada até que eu aprove"
5. "Vamos ver isso juntos: traga-me alternativas de ação, argumentos favoráveis,
recomende a melhor alternativa para minha aprovação";
6. "Vamos ver isso juntos: forneça-me todos os fatos; eu decidirei o que
fazer".
A delegação eficiente sempre tenderá para o primeiro
estágio. O sexto estágio praticamente representa a negação da idéia de delegação. O
processo pode também sofrer uma involução, determinando uma diminuição do grau de
autoridade já concedida, embora isto sempre deva acontecer em caráter temporário.
TESTE: VOCÊ SABE DELEGAR?
Deixando de lado as considerações referentes a graus
de autoridade no processo de delegação, segue um rápido teste para que o leitor possa
situar-se em termos de sua posição atual de delegante. Procure responder
as questões de acordo com sua realidade e não pensando no que é ideal. Se tiver
dúvidas sobre a resposta adequada, solicite a opinião de um subordinado.
Use as seguintes alternativas de resposta:
"SIM" (S),
"NÃO" (N),
"MAIS OU MENOS" (M).
1. Você tem um substituto eventual formalmente designado?
(S)
(N)
(M)
2. Quando você tira férias ou se ausenta do trabalho, a produtividade cai
significativamente?
(S)
(N)
(M)
3. Você possui tendência para "assumir" tarefas que não lhe competem
(especialmente aquelas que você executava como técnico antes de sua promoção a
gerente)?
(S)
(N)
(M)
4. Seu critério usual para delegação é o de transferir para os subordinados as
tarefas que gosta de executar?
(S)
(N)
(M)
5. Ao delegar é comum você usar a frase: "isto agora é com você, não quero mais
ver este problema"?
(S)
(N)
(M)
6. Você tem sempre a convicção de que executa as tarefas melhor e mais depressa que
seus subordinados?
(S)
(N)
(M)
7. Seus subordinados, mesmo depois de receberem qualquer delegação, tendem sempre a
voltar a você para "dividir" a decisão?
(S)
(N)
(M)
8. Você sempre ou quase sempre aceita dividir com seus subordinados o "ônus"
das decisões?
(S)
(N)
(M)
9. Você se considera um perfeccionista?
(S)
(N)
(M)
10. Você considera mais agradável executar diretamente as tarefas, em oposição a
conseguir resultados através de terceiros?
(S)
(N)
(M)
11. Quando delega, você tende a conceder mais responsabilidades (atribuições) do que
autoridade (mais coisas para fazer do que o poder de decisão sobre elas)?
(S)
(N)
(M)
12. Logo depois que você delega uma tarefa, é comum se impacientar quando procurado para
esclarecer eventuais dúvidas?
(S)
(N)
(M)
13. Você costuma definir a forma de controle da delegação no momento em que ela é
efetuada?
(S)
(N)
(M)
14. Além de delegar "o que fazer" você costuma definir com seus subordinados
exatamente qual deva ser o caminho a ser seguido por eles (o "como fazer")?
(S)
(N)
(M)
15. Quando delega, você usualmente define prazos e limites da delegação, procurando
fazê-lo de comum acordo seu grau de comprometimento?
(S)
(N)
(M)
16. No início do processo de delegação você sempre ou quase sempre procura deixar
claro para seu subordinado sua disponibilidade para dirimir dúvidas eventuais (você tem
consciência de que quem delega, a curto prazo, deve reservar tempo adicional para
treinamento do subordinado)?
(S)
(N)
(M)