Tempo de Escolher
Muitos amigos
leitores têm solicitado minha opinião acerca de qual rumo dar às suas carreiras.
Alguns, apreciam seu trabalho, mas não a empresa onde estão. Outros, admiram a
estabilidade conquistada, mas não têm qualquer prazer no exercício de suas funções.
Uns, recebem propostas para mudar de emprego, financeiramente desfavoráveis, porém,
desafiadoras. Outros, têm diante de si um vasto leque de opções, muitas coisas por
fazer, mas não conseguem abraçar a tudo.
Todas estas pessoas
têm algo em comum: a necessidade premente de escolhas. Lembro-me de Clarice Lispector: Entre o ´sim´ e o ´não´, só existe um
caminho: escolher.
Acredito que quase
todas as pessoas passam ao longo de sua trajetória pelo dilema da virada. Um
momento especial em que uma decisão clara, específica e irrevogável tem que ser tomada
simplesmente porque a vida não pode continuar como está. Algumas pessoas passam por isso
aos 15 anos, outras, aos 50. Algumas talvez nunca tomem esta decisão, e outras o façam
várias vezes no decorrer de sua existência.
Fazer escolhas
implica renunciar a alguns desejos para viabilizar a outros. Você troca segurança por
desafio, dinheiro por satisfação, o pouco certo ao muito duvidoso. Assim, uma companhia
que lhe oferece estabilidade com apatia pode dar lugar a outra dotada de instabilidade com
ousadia. Analogamente, a aventura de uma vida de solteiro pode ceder espaço ao conforto
de um casamento.
Prazer e Vocação
Os anos ensinaram-me algumas lições.
A primeira delas vem de Leonardo da Vinci que dizia A
sabedoria da vida não está em fazer aquilo que se gosta, mas em gostar daquilo que se
faz. Sempre imaginei que fosse o contrário. Porém, refletindo, passei a
compreender que quando estimamos aquilo que fazemos, podemos nos sentir completos,
satisfeitos e plenos, ao passo que se apenas procurarmos fazer o que gostamos, estaremos
sempre numa busca insaciável, porque o que gostamos hoje não será o mesmo que
prezaremos amanhã.
Todavia, é
indiscutivelmente importante alinhar o prazer às nossas aptidões. Encontrar o talento
que reside dentro de cada um de nós ao que chamamos vocação.
Oriunda do latim vocatione, e traduzida
literalmente por chamado, simboliza uma espécie de predestinação imanente a
cada pessoa, algo revestido de certa magia e divindade. Uma voz imaginária que soa
latente, capaz de fazer advogados virarem músicos, engenheiros virarem suco. É um lugar
no tempo e no espaço onde a felicidade tem sua morada.
Escolhas são
feitas com base em nossas preferências. E aí recorro novamente à etimologia das
palavras para descobrir que o verbo ´preferir´ vem do latim praeferere e significa levar à
frente. Parece-me uma indicação clara de que nossas escolhas devem ser feitas com
os olhos no futuro, no uso de nosso livre-arbítrio.
O mundo corporativo
nos guarda muitas armadilhas. Trocar de empresa ou mudar de atribuição, por exemplo,
são convites permanentes. O problema de recusá-los é passar o resto da vida se
perguntando: O que teria acontecido se eu
tivesse aceitado? Prefiro não carregar comigo o benefício desta dúvida. Por
isso, opto por assumir riscos, evidentemente calculados, e seguir adiante. Dizem que somos
livres para escolher, porém, prisioneiros das conseqüências...
Para aqueles
insatisfeitos com seu ambiente de trabalho, uma alternativa à mudança de empresa é
postular a melhoria do ambiente interno atual. Dialogar e apresentar propostas são um bom
caminho. De nada adianta assumir uma postura meramente defensiva e crítica. Lembre-se de
que as pessoas não estão contra você, mas a favor delas.
Por fim, combata a
mediocridade em todas as suas vertentes. A mediocridade de trabalhos desconectados com sua
vocação, de empresas que não lhe valorizam, de relacionamentos falidos. Sob este
aspecto, como diria Tolstoi, Não se pode ser
bom pela metade. Meias-palavras, meias-verdades, meias-mentiras, meio caminho
para o fim.
Os gregos não
escreviam obituários. Quando um homem morria, faziam uma pergunta: Ele viveu com paixão?.
Qual seria a
resposta para você?
Tom Coelho, com
graduação em Economia pela FEA/USP, Publicidade pela ESPM/SP e especialização em
Marketing pela MMS/SP e em Qualidade de Vida no Trabalho pela FIA-FEA/USP, é empresário,
consultor, escritor e palestrante, Diretor da Infinity Consulting, Diretor do Simb/Abrinq
e Membro Executivo do NJE/Fiesp. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite www.tomcoelho.com.br.