O Comércio Eletrônico mundial está completando
pouco mais de seis anos de vida, e no Brasil metade disso. É portanto, um setor ainda em
formação, se fosse gente seria apenas um garotinho entrando no primeiro ano primário
para aprender as primeiras letras. Muitos analistas simplesmente ignoram esse fato e,
talvez como uma vingança contra os profetas do lucro fácil que já quebraram a cara e
estão fora do jogo, cobram do e-commerce, desempenho nunca antes alcançado por nenhum
outro setor em tão curto prazo. O fato é que saímos da e-euforia
diretamente para a e-depressão, sem nenhuma escala num patamar razoável de
bom-senso calcado na realidade dos números como pretendemos demonstrar.
A questão primária quando se fala na utilização da Internet como um
novo canal de comercialização é: quantas pessoas já estão conectadas a Web, e
portanto expostas a comunicação e estratégias mercadológicas, e quantas estarão num
horizonte razoável de tempo. Isto porque é
esse o público alvo das empresas que atuam na Internet. Se você tem um público de mais
de 160 milhões de internautas como é o caso dos Estados Unidos, maravilha; porém, se
você atua num mercado que ainda não atingiu o volume de 60 mil pessoas, como é o caso
de Cuba, a perspectiva de sucesso de qualquer empreendimento ponto-com é.. desalentadora, para ser educado.
Como era de se esperar, não chegamos ao paraíso como é caso dos
Estados Unidos, mas já saímos há muito tempo do inferno, como no caso Cubano. As
últimas pesquisas indicam que no Brasil mais de 12 milhões de pessoas estão conectadas
a Internet, o que já não é pouca coisa, principalmente se considerarmos a
qualificação desse público, majoritariamente classes A e B, ou seja, a camada da
população de maior nível de renda e portanto com mais capacidade de consumo. Mais importante que o momento, no entanto, são as
tendências. O quadro abaixo, mostra a evolução do número de usuários da Internet no
Brasil.
Data da Pesquisa |
Usuários (milhões) |
Nº de Meses Acumulado |
Crescimento Acumulado |
Crescimento
médio/mês |
% da População |
| Fev/2002 | 13,08 | 55 | 1034% | 18,8% | 7,6% |
jul/1997 |
1,15 |
1 |
- |
- |
- |
Fonte: www.e-commerce.org.br/stats.htm / base pop. : 172
milhões
Observa-se que de Julho de 1997, período em que
o mercado ultrapassava a marca de um milhão de usuários, até hoje, quatro anos e
meio depois, houve um crescimento acumulado de
mais de 1.000% no número de usuários, o que fazendo uma média simples, representa um
expressivo crescimento de 19% ao mês. Outro dado relevante é a penetração da Internet
junto à população que na última pesquisa atingiu 7,6%. Como parâmetro de
comparação, o mercado americano já atingiu em um período de pouco mais de 10 anos a
marca de 60% da população conectada a rede. Obviamente,
a expansão de um mercado depende muito da conjuntura econômica do período em questão,
além de variáveis sócio econômicas de cada país, dessa forma, seria uma
simplificação grosseira importar o índice de crescimento verificado no
mercado americano para o Brasil. Porém, o
grau de penetração serve como um importante indicador do espaço de crescimento
disponível no mercado. Quanto maior é a distância do limite de 100% da população,
maior é a possibilidade de crescimento e nesse aspecto, os números mostram claramente
que o mercado brasileiro tem um enorme espaço a ser ocupado. Em estudo realizado no final do ano passado para o
Cietec - Incubadora de empresas de tecnologia instalada na Universidade de São Paulo,
utilizamos os dados acima, juntamente com outras variáveis, para estimarmos o mercado
representado pela Internet nessa primeira década do novo milênio. O quadro abaixo é um
resumo dos três cenários projetados.
(em
milhões) |
Pessimista
|
Intermediário
Cresc. anual 16% |
Otimista |
||||
|
Total |
|
% |
|
% |
|
% |
Ano |
População |
Internautas |
Pop |
Internautas |
Pop |
Internautas |
Pop |
2001 |
172,3 |
12.0 |
6,9% |
12.0 |
6,9% |
12.0 |
7,0% |
2011 |
199,9 |
37.2 |
18,7% |
52.9 |
26,5% |
74.3 |
37,2% |
Como se observa pela tabela, o cenário
mais plausível, o intermediário, nos mostra um número de 52 milhões de pessoas
conectadas a Web daqui a nove anos. O que embora pareça uma enorme quantidade de pessoas,
vai representar pouco mais de um quarto da população brasileira na ocasião, muito
abaixo do porcentual de pessoas que tem acesso à televisão e ao telefone já nos dias de
hoje. Para os reticentes, vale dizer que o
Yankee Group, Instituto de Pesquisa Americano, em um estudo chamado "A Second Wave:
The Brazilian Internet User Forecast" projeta
para o Brasil o número de 42,3 milhões de
usuários de Internet, já em 2006, inicio da segunda metade do decênio em questão. É
preciso dizer mais?
Evidentemente, só a existência do mercado não representa
necessariamente o sucesso absoluto do Comércio Eletrônico e das empresas ponto-com.
Outras variáveis devem ser consideradas, como comportamento do consumidor on-line e o
próprio desempenho das empresas em satisfazer as necessidades desse consumidor, entre
outras coisas, mas isso fica para um próximo artigo. O
que queríamos demonstrar é que, a não ser que haja uma reversão completa do quadro
evolutivo da tecnologia e de todas as tendências observadas até aqui, as empresas que
apostarem no Comércio Eletrônico terão um enorme e qualificado mercado para conquistar
nos próximos anos. Quem duvidar disso, corre
o risco de perder o foguete da história.
março/2002
Dailton Felipini,
Mestre em Administração pela Fundação
Getúlio Vargas. Consultor e Professor de Planejamento e Gestão de Empresas
Ponto-com na Universidade Ibirapuera.
Editor do site: www.e-commerce.org.br
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