A Difícil Arte de “Ser”

Corre - corre, pressa, falta de tempo.... males de uma época líquida, de acordo com Bauman, no seu livro Modernidade Líquida. Os dias passam cada vez mais velozes e, na mesma intensidade, os pensamentos correm de um problema a outro, as emoções não se fixam, o olhar brinca de estilingue, encenando um vai e vem desconcertante entre o celular e o mundo, as telas simétricas dos computadores e a vida.
O esforço às vezes é grande para se “estar” em algum lugar, o que dirá “ser”. Precisa-se “estar” em uma reunião, mas a cabeça e o coração estão em outro lugar, enquanto o físico teima em não se mover. Uma conversa com um colaborador pressupõe que se “esteja” nessa intenção e sabemos que por vezes a boca fala uma coisa, o coração outra e os olhos se deviam do outro olhar. Já não é bastante conversar? Ainda é necessário olhar?
Como então “ser” se nem conseguimos “estar”? “Ser” mãe, “ser “ pai, “ser” esposa, “ser” marido, “ser” filho, filha, “ser” líder.
Para “ser” é necessário ancorar, por os pés no chão, “ser presente”. Sair da liquidez e ir para a concretude não rígida, buscar a atenção concentrada ao invés da dispersão instalada.
O início desse processo é a tomada de consciência sobre a pouca consciência existente nas ações e comportamentos cotidianos. Consciência do que se pensa, do que se fala, do que se come, do que se sente, de onde se está, do que se é, do que se quer, do que não se quer. A partir daí pode vir a escolha verdadeira por “ser” e não simplesmente “estar”. Para tanto, o “eu” precisa ser educado nessa escolha, de forma que se mantenha no aqui e no agora, reduzindo opções e distrações mentais. Exemplificando e correndo o risco de caminhar em direção a um reducionismo, quando se “é” numa reunião, escolhe-se de fato “ser”, ou seja, traz-se o físico, a mente e as emoções para essa reunião, disponibilizando-se todas as competências, recursos físicos, mentais e emocionais para esse momento, não se permitindo escolhas que desviem a atenção. Assim, a percepção, as sensações, a presença estarão íntegras e integradas ao objetivo proposto. Isto não significa deixar de enxergar, ouvir, sentir o que acontece no ambiente, pelo contrário, a presença verdadeira torna a visão mais sistêmica, possibilitando a manifestação de um pensamento mais complexo, abrangente e não linear e fragmentado.
Esse é o caminho que conduz ao comprometimento, à responsabilidade, à verdade e à integridade.
Percebe-se, então, que a decisão de “ser” é interna, começa de dentro e se expande nos comportamentos e atitudes que têm como consequência resultados palpáveis, como por exemplo, os líderes que “são” líderes e não apenas ocupam um cargo, os pais que “são” pais e não somente têm filhos, os filhos que “são” filhos e não somente têm pais e assim por diante.
O que percebo é que, pela falta de consciência “somos”, “não somos”, “estamos” e “não estamos”. Quando começamos a despertar para esse desafio, percebemos essas nuances e é natural que alguns ajustes sejam feitos, pois não é possível “ser” sem que haja verdade, ou seja, não dá para “ser” líder se nossa vontade, nosso desejo não é esse, assim como não dá para ser “esposa” ou “marido” se o nosso desejo é continuar solteiro. Então, novas escolhas precisam ser feitas, para que se mantenha a coerência do “ser”.
Fica aqui, então, apenas um convite, fruto dessa breve reflexão.... trazer para a consciência as áreas em que você de fato “é”, as áreas em que você “está” e aquelas em que você nem é e nem está. Desta reflexão, podem vir insights sobre questões de carreira, de sucesso, felicidade, de desempenho e de potencial, entre outros.

Nós, da F&M Consultores, temos como missão trabalhar a consciência como caminho para o desenvolvimento humano.
Assim, nossos programas, treinamentos e processos de coaching sempre buscam essa linha de trabalho.
Destacamos  : Desenvolvimento de Liderança e
Comunicação e o Comportamento Assertivo.
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