UM ENTENDIMENTO SOBRE O TRABALHO

Por Paulo Botelho

“A lição sabemos de cor; só nos resta aprender”. Fernando Brant, escritor e compositor.

É desde os primeiros tempos de sua existência que o ser humano constata que, para sobreviver, precisava executar algumas tarefas de trabalho, como caçar, construir abrigos, fazer armas, plantar e colher alimentos, entre outras atividades. Essas tarefas consumiam muito esforço, além de serem cansativas. As pessoas mais resistentes fisicamente acabam descobrindo que podiam obrigar os mais fracos a executarem os serviços que elas não queriam executar. Vem daí o trabalho escravo, situação miserável que passa a fazer parte da história da humanidade. Ricos e poderosos de civilizações consideradas avançadas, como a egípcia, a grega e a romana, decidem que não deveriam trabalhar tanto, melhor dizendo, não deveriam trabalhar nada. Assim, eles passam a ser donos de escravos para realizar a maioria das tarefas, inclusive, ler e escrever. – Eles eram analfabetos, além de extremamente truculentos.

Na Idade Média, tem início o aprendizado de ofícios que os artesãos promoviam ao ensinar seus filhos e parentes, além dos jovens agregados dos feudos. Aos poucos, as escolas vão surgindo e, com elas, as cidades ou burgos, bases de uma nova classe social: a burguesia que começa a ter poder econômico. Já no final da Idade Média aparecem as fábricas, movidas por roda dágua ou por moinhos de vento (ah, o meu livro “Moinhos de Vento”, tão pouco procurado!). Mas, é na Inglaterra, berço da Revolução Industrial, que o carvão passa a ser utilizado para mover as caldeiras das fábricas. E a extração dessa matéria-prima passa a ser feita com a utilização de mão-de-obra infantil. Pequeninos, podendo entrar com facilid ade nas minas de carvão, as crianças chegam a trabalhar 16 horas por dia com salários reduzidos, além de péssimas condições de trabalho. Muitas lutas são travadas, inclusive para reduzir os efeitos nocivos do trabalho sobre a saúde dos trabalhadores. Outras tantas lutas, também, são travadas até o início do Século XX quando aparecem as primeiras grandes fábricas com mais e intensos efeitos danosos sobre a saúde dos trabalhadores. Mas, isso, há muito tempo, está resolvido nos países desenvolvidos, especialmente nos Estados Unidos e Europa. Entretanto, de maneira especial –  por aqui mesmo - são encontradas, ainda hoje, empresas com processos de produção extremamente medievais, com pouca ou nenhuma preocupação com a segurança e higiene do trabalho, sem investimentos de recursos para a implantação de medidas preventivas. Todavia, há por outro lado – e sempre tem um outro lado – a existência, também por aqui, de boas empresas com processos avançados de tecnologia e de produção limpa que levam em conta a saúde e o bem-estar dos trabalhadores.

Paulo Augusto de Podestá Botelho é Professor, Escritor e Consultor de Empresas. Associado-Docente da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. WWW.paulobotelho.com.br