A FORÇA DE UM POEMA
Por
Tenho pra minha
vida
a busca como medida;
o encontro como chegada,
e como ponto de partida.
Ponto de Partida de Sérgio Ricardo,
compositor e cantor.
Não há ninguém que eu admire mais do que
Nelson Mandela. Ele é, a meu ver, o homem mais completo do Século XX. Quem quiser
conhecê-lo melhor recomendo assistir ao filme Invictus, produzido e dirigido pelo
excelente Clint Eastwood. Acho que a minha mulher não agüenta mais me ver assistindo-o.
Já o vi umas nove vezes!
Prisioneiro político
por conta do abominável Apartheid na África do Sul, Mandela sai da prisão direto para
assumir a Presidência de seu país. Richard Stengel, editor da revista americana Time e
autor de Os Caminhos de Mandela, conta que ele não prestava atenção em seus
amigos; mas nunca deixava de prestar atenção
Mandela seguiu, ao
pé-da-letra, a recomendação do sábio chinês Confúcio: Você pode confiar nos
seus amigos no sentido de que sabe que eles irão ajudá-lo; e pode confiar em seus
inimigos no sentido de que sabe que eles irão querer prejudicá-lo; portanto, nunca os
perca de vista. E ele fazia isso de forma discreta. Não considerava a possibilidade
de usar os serviços de inteligência para espioná-los. Ele sabia que a melhor maneira de
fazê-lo não era à distância; mas, de perto. De fato, quando estavam juntos em uma
mesma sala, convidava o seu oponente para aproximar e se sentar ao seu lado. Ele observava
o jeito, o modo de falar, de andar e até a maneira
de apertar a mão. Certa vez, observou que um membro do seu Ministério não o olhava nos
olhos quando o cumprimentava. Isso é um mau sinal, comentou, com
tristeza.
O ex-presidente
americano Bill Clinton perguntou-lhe, após um encontro de estadistas em Londres, como ele
conseguira suportar os 27 anos que passara na prisão. Resposta: Lendo e repetindo,
de cor, o poema Invictus. O poema é de autoria do inglês William Henley. E
a tradução é do ensaísta brasileiro André Massini.
Invictus
Out of the night that covers me,
black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
for my unconquerable soul.
In the fell clutch of circunstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance,
my head is bloody, but unbowed.
Beyond this place of wrath and tears
looms but the horror of the shade,
and yet the menace of the years
finds, and shall find, me unafraid.
It matters not how strait the gate,
how charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.
(Do fundo desta noite
que persiste
a me envolver em breu,
eterno e espesso,
a qualquer deus
se algum existe,
por minha alma
insubjugável, agradeço.
Nas garras do destino
e seus estragos,
sob os golpes que o
acaso atira e acerta,
nunca me lamentei e
ainda trago
minha cabeça
embora em sangue ereta.
Além deste oceano de
lamúria,
somente o horror das
trevas se divisa;
porém o tempo, a
consumir-se em fúria,
não me amedronta, nem
me martiriza.
Por ser estreita a
senda eu me declino,
nem por pesada a mão
que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor
de meu destino:
eu sou o comandante de
minha alma!)
Paulo Augusto de
Podestá Botelho é Professor, Escritor e Consultor de Empresas. Associado-Docente da SBPC
Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. WWW.paulobotelho.com.br