SUSTENTABILIDADE
Por
Apenas quando o ser humano matar o último peixe, poluir o
último rio e derrubar a última árvore, irá compreender que não poderá comer o
dinheiro que ganhou. Seattle, chefe indígena
americano.
A moda do sustentável acabou banalizando o tema situando-o apenas
no chamado Universo Corporativo. Esse universo tem sido explicado
por uma constelação de figuras carimbadas, entendidas,
inseridas no contexto que chegam a cobrar a bagatela de R$ 10 mil (acham que
valem muito mais) por uma palestra elucidativa de 2 horas. E o universo
se enche de luz, de interação, de emoção; paga e aplaude de pé!
Não é esse o universo que pretendo tratar e compreender com este
artigo. Sustentabilidade é um conceito sistêmico, relacionado com a continuidade dos
aspectos econômicos, sociais, políticos e culturais da sociedade humana. Ela, a
sustentabilidade, abrange vários níveis de organização, desde a vizinhança local até
o planeta inteiro. Para um empreendimento humano ser sustentável, é preciso que tenha
quatro requisitos essenciais: economicamente viável, socialmente justo, politicamente
correto e culturalmente aceito.
Não nos iludamos. O nosso universo é um lúmpen
constituído de analfabetos funcionais (67% dos brasileiros)
Mia Couto, escritor moçambicano, em seu livro O Último
Vôo do Flamingo tenta entender o que aconteceu com o seu país cuja história
coletiva foi consumida pela ganância dos poderosos e, também, pela ignorância cívica
de seus habitantes. Ele relata a história dos flamingos que desapareceram, para sempre,
de Moçambique, justamente esses pássaros reconhecidos como eternos anunciadores da
esperança.
Mas, foi lá, já na minha distante adolescência, que conheci um
verdadeiro Quixote do universo sustentável. Surdo-mudo, pequeno e frágil, chamava-se
Alcides. Nada se sabia de seus pais, irmãos, parentes, seu sobrenome. Expulsava os
gambás dos galinheiros; roçava as ervas daninhas ao redor das sedes das fazendas em
troca de um caldo de feijão e de uma pousada. Ia sobrevivendo de roça em roça no eixo
Muzambinho-Monte Belo,
Sustentabilidade é, sobretudo, responsabilidade ética pela
sobrevivência futura. Ninguém definiu melhor essa responsabilidade que Alexis de
Tocqueville, escritor e político francês que viveu no Século XVIII: A atitude que
um cidadão toma pode ser escrita? Pode ser publicada na primeira página de um jornal?
Pode ser deixada para os seus filhos e netos? Se a resposta for sim, a atitude é
ética. Eis aí a ética do desenvolvimento sustentável que preenche os
quatro requisitos essenciais!
Paulo Augusto de Podestá Botelho é Professor e
Consultor de Empresas. WWW.ogerente.