EU PAGO A MINHA ÁGUA
Por
Andar apressado de meio-galope, bem
gordinho, sempre de óculos escuros, aparenta uns 40 anos. Ele é meu vizinho há pouco
tempo e mal me cumprimenta. Foi num domingo à tarde, desses de muito calor, abafado. E
eis que se inicia a operação lavagem dos dois carros da família. Calção, camisa do
time do coração, havaianas e os óculos escuros; após churrasco com bastante
coraçãozinho de frango. E, claro, uma boa quantidade de Skol, aquela que desce
redondinho! Falei-lhe sobre o desperdício de água que tem afetado o bairro. Resposta ao
intrometido: Eu pago a minha água!
Lembrei-me de minha bisavó materna, a
fazendeira dona América Bueno Alves. A fazenda ficava no eixo Muzambinho-Monte Belo,
O meio-ambiente, especialmente o
clima, lembra aqueles bois cheios de carrapatos que, quando muito incomodados, davam uma
chacoalhada no couro para derrubar, pelo menos, a metade daqueles bichos. Acho que o
planeta Terra já está fazendo a mesma coisa incomodado com o bicho dito ser humano.
As autoridades que cuidam da
fauna no Sri-Lanka anunciaram logo após o Tsunami de 2004 que apesar da
perda de milhares de vidas humanas, não houve nenhum registro de mortes de animais.
Sabe-se que os animais têm audição muito aguçada. É provável que ouviram a
inundação. Deve ter havido vibração; e pode ter ocorrido mudanças na pressão
do ar que alertaram os animais (elefantes, macacos, tigres, antílopes e crocodilos)
fazendo com que eles se deslocassem para lugares mais seguros. É o sexto sentido que os
animais têm.
Michael Keough, professor e cientista
da Universidade de Melbourne, Austrália, avalia que um tsunami passa muito mais rápido
que um ciclone; pode aumentar quando toca as profundezas do oceano onde vivem os corais. E
Keough denuncia: Para não comprometer a indústria do turismo, nenhum alerta,
nenhuma informação, nenhuma previsão foi divulgada.
Em ciência sabe-se que sempre é
possível fazer previsões e divulgá-las. Programas de educação ambiental têm
demonstrado que é possível melhorar o ser humano e o seu habitat. É possível comer um
peixe Curimbatá ou um Dourado, limpinhos, saídos do rio Tietê. Onde? Em Barra Bonita,
local próximo à cidade de Jaú, interior do Estado de São Paulo. É a educação
ambiental que faz a diferença. Em cada anoitecer dorme uma porção de luz
ensina Hegel em A Fenomenologia do Espírito. Mas há quem desligue os fios dessa
compreensão. E aí não há entendimento. Como o meu vizinho de óculos escuros que
paga a sua água!