VOCÊ JÁ FEZ ALGUÉM SENTIR-SE
Floriano Serra*
Uma das maiores
motivações humanas é saber-se importante.
Não me refiro àquela importância dos abastados e
poderosos. Essa é fútil, porque se impõe pela riqueza ou pelo poder e acaba
quando essas coisas acabam.
Refiro-me à importância
imaterial da sua utilidade, do seu valor pessoal, da qualidade da sua essência e
da sua existência. Aquela que é construída pelo Ser e não pelo Ter.
Essa importância é que é verdadeiramente importante, porque o Ser é perene e o Ter é
passageiro.
Quer um exemplo? Lembre das pessoas que tiveram mais
importância na sua vida. Você descobrirá que muitas delas foram, simples, humildes,
modestas mas tremendamente valiosas pelo que lhe ensinaram de bom, pelas marcas e
mensagens positivas que deixaram em você. Tantos anos já podem ter se passado, mas a
importância delas para você continua presente até hoje.
Se você ouvir: Fulano
é importante, significa que Fulano tem poder, fama ou riquezas. Mas se você
ouvir: Fulano é importante para mim,
significa que Fulano tocou seu coração pela solidariedade, companheirismo ou afeto
embora não precise ser rico, famoso nem poderoso.
Em suma, ser importante é ser útil, é saber que ocupa com
mérito e direito seu espaço na vida.
O mais maravilhoso de tudo isso, é que cada um nós pode fazer
alguém sentir-se importante. Todo dia. Várias vezes ao dia. Basta reconhecermos e
declararmos explicitamente seu valor e sua importância para nós.
O mundo anda cheio de pessoas carentes e ressentidas porque as outras se esquecem dessa
ação singela de deixar que elas ouçam ou percebam como são ou foram importantes para
nós, num determinado momento.
Lembra-se de como foi importante aquele sujeito que lhe ensinou
uma direção segura, quando você estava perdido numa rua desconhecida? Ou aquele que,
sem conhecê-lo, emprestou-lhe um dinheiro ainda que muito pouco o
suficiente para completar a conta do supermercado, do ingresso do cinema ou da passagem do
ônibus? E o que dizer daquela senhora desconhecida que o amparou e providenciou um copo
dágua quando você sentiu-se mal na fila?
Nessas e em muitas outras ocasiões, a gente costuma dizer um
rápido muito obrigado, para logo em seguida
esquecer a importância e a beleza daquele ato voluntário, o qual certamente mereceria um
agradecimento menos automático e muito mais caloroso, mais humano. Aquelas e
muitas outras - são pessoas que, embora tenham sido importantes, passam pela nossa vida
sem maiores registros afetivos e logo são esquecidas.
No entanto, é muito mais fácil lembrar daquelas que fazem o
oposto, que o desqualificam ou o ignoram, em ações opostas à arte de fazer o outro
sentir-se importante. E isso acontece com freqüência porque, ironicamente, a crítica
flui com muito mais facilidade da boca humana do que o elogio e assim as pessoas
vão deixando de se sentirem importantes.
No mundo corporativo, os gestores têm às mãos uma ótima
oportunidade de fazer cada membro de suas equipes sentir-se importante: é durante o
chamado feedback, ocasião em que é manifestada
sua opinião sobre o desempenho do colega.
O feedback
não foi criado para ser um instrumento de crítica
e desqualificação. É justamente o contrário: deve ser uma oportunidade para
identificar as competências que devem ser aperfeiçoadas.
Mas, sobretudo, deve ser um instrumento para reconhecer e expressar a importância
daquela pessoa na equipe porque se não o fosse, não deveria estar na equipe. Se
está, é porque é importante, ainda que precise desenvolver algumas habilidades ou
conhecimentos.
Como feedback
não tem dia nem hora para ser dado, isso significa que qualquer gestor pode fazer com
que, frequentemente, qualquer membro da sua equipe se sinta importante de
preferência todo dia. Bastam algumas poucas palavras. Ou, às vezes, um pequeno gesto.
Eu não tenho a menor dúvida de que cada leitor tem um monte de
gente importante à sua volta - em casa ou no trabalho. A questão é: eles sabem disso?
Você já lhes disse?
Se você fizer a sua parte, você também vai se tornar muito
importante para alguém. E ao sentir como isso é gratificante, você certamente vai
querer compartilhar esse sentimento e fazer com que outros sintam a mesma coisa. Chame a
isso de efeito dominó ou bola de neve. Não importa o nome,
importa a ação.
Talvez a origem fundamental desse sentimento de prazer ao nos
percebermos importantes, esteja na consciência definitiva de que, em resumo, importante
é aquele que cumpre com dignidade a sua Missão.
Floriano Serra é psicólogo, diretor de RH e Qualidade
de Vida da APSEN
Farmacêutica, eleita
pelo terceiro ano consecutivo "uma das Melhores Empresas para
Trabalhar". É autor dos livros "A Empresa Sorriso" e "A
Terceira Inteligência" (Editora Butterfly) e um dos 25
profissionais brasileiros incluídos no livro "Gigantes da Motivação".(Editora Landscape).