Luiz Marins
Duvido que esta pergunta não tenha assaltado a mente de todos os brasileiros
nestes tempos de turbulência moral. Será que vale a pena?
São tantos os será que vale a pena? que nos perguntamos que se formos
fundo em sua análise podemos até cair em profunda depressão. Aqui vão algumas dessas
perguntas:
1. Será que vale a pena ser honesto?
2. Será que vale a pena ser ético?
3. Será que vale a pena ser justo?
4. Será que vale a pena ser fiel?
5. Será que vale a pena ser paciente?
6. Será que vale a pena ser humilde?
7. Será que vale a pena ser correto?
8. Será que vale a pena falar a verdade?
9. Será que vale a pena ensinar nossos filhos os valores
morais tradicionais?
10. Será que vale a pena estudar?
11. Será que vale a pena trabalhar tanto?
12. Será que vale a pena ler jornais, ouvir e ver notícias
no rádio e na TV?
13. Será que vale a pena não ser um alienado?
14. Será que vale a pena....?
E tenho certeza que o leitor
completará esta lista com mais uns dez será que vale a pena?. Mas será que
vale a pena completar esta lista, ou mesmo continuar lendo este artigo ou mesmo ler alguma
coisa?
Nestes tempos de turbulência moral
ficamos todos um pouco mais filósofos porque ficamos enojados de tanta lama e sentimos,
como seres humanos, uma enorme falta de alguma coisa mais elevada, mais decente, menos
nojenta para encher o nosso espírito e a nossa alma. Talvez esteja aqui um benefício a
ser visto pelos que ainda tentam acreditar numa possível grandeza do espírito humano. Os
grandes filósofos surgiram em épocas de grande turbulência histórica, de Sócrates a
Sartre, de Epicuro a Kant, todos questionaram as mazelas do tempo em que viviam.
A verdade, porém é que ao chegar
de um dia estafante de trabalho e assistir aos não vi nada, não sei de
nada, nunca estive lá, temos uma enorme dificuldade de nos lembrar dos
conselhos da Phronésis (filosofia prática) dos antigos atenienses. Somos
invadidos por uma raiva silenciosa e, como disse um dos envolvidos, sentimos medo até de
que sejam libertados em nós os mais primitivos instintos que mantemos cativos
pela vida civilizada.
A verdade é quando olhamos para o nosso contra-cheque vis-a-vis a nossas
dívidas no cheque especial; quando vemos o cashflow negativo de nossa empresa e
quando vemos tantas oportunidades de negócio que não podemos aproveitar por razões
puramente éticas, novamente a pergunta será que vale a pena? nos vem à
mente.
Portanto, nestes tempos de
turbulência moral, parece que um novo dever ocorre aos honestos, aos éticos, aos
empresários, presidentes, diretores, chefes que não se corromperam e se negam a
deixar-se corromper. Acredito que seja o momento mais que oportuno de reunir nossos
colaboradores e falar a eles, com toda a clareza que ainda valem a pena os princípios da
moral e da ética. É preciso que eles saibam de nossa própria boca que ainda há pessoas
que não se compram e pessoas que não se vendem. É preciso que nos vejam afirmar e
reafirmar que ainda há motivos para ter esperança nas pessoas e neste Brasil, que por
certo, mais uma vez, se mostrará machucado e combalido, mas ainda maior que a crise.
Pense nisso. Sucesso!