Eunice Mendes
Consultora do Instituto MVC
Reveja o mito
de que a arte de falar em público é um dom divino
Não se pode negar que algumas pessoas
nasceram com o atributo da eloqüência eficaz. Em geral são pessoas carismáticas,
persuasivas e envolventes. Mas são casos raros. Se a maioria quiser comunicar-se bem,
deverá buscar subsídios nos treinamentos e dedicar muito esforço pessoal para
administrar os medos, traçar objetivos e estratégias, buscar conhecimentos e
treinamentos que desenvolvem e aprimoram essa arte.
Não se engane pensando que só os
seres privilegiados terão uma atuação inteligente com seus interlocutores. É uma
desculpa fácil para quem não quer enxergar que somos responsáveis pelas nossas crenças
e mitos, e cabe a nós decidir se queremos ou não realizar nossos sonhos. Muda-se a
crença, muda o caminho e muda o resultado. Muda o homem!
Trabalhe o medo
conscientemente
É um engano imaginar que se pode
eliminar totalmente o medo. Ele é fundamental para a sobrevivência, ao evitar a
displicência e o relaxamento em demasia. Mas se ele conseguir impedir as suas ações
durante uma apresentação, preocupe-se. Lembre-se de que não existe medo de falar em
público, mas vários medos interagindo, como o de errar, de ser o centro das atenções,
de ser questionado e outros tantos específicos de cada comunicador. Identificar as causas
e criar um plano de ação facilita a administração racional do medo, tornando mais
eficaz a comunicação.
Administre as
tensões e os medos antes de uma apresentação
Prepare-se mental e fisicamente
Ensaie
Pratique, pratique e pratique,
porque só a prática conduz à perfeição.
Não tenha medo do
silêncio
Antes de planejar e organizar uma
palestra, aula ou reunião há um estágio que muitas vezes queremos ignorar. É aquele
espaço tão rico, de reflexão e silêncio que nos possibilita pensamentos mais
consistentes e resultados mais equilibrados. Como vivemos envolvidos por palavras, sons e
movimentos, o silêncio parece insuportável. Falando ou em silêncio, a comunicação
está sempre presente.
Silêncio funciona como um sensível
toque de recolher, quando o ser humano tem a chance de se conhecer realmente. É em
silêncio que o homem tem a dimensão de seu valor e revela sua verdadeira imagem.
Aprender a linguagem do silêncio nos
dá as ferramentas para lidar melhor com nossas emoções e efetivar uma interação mais
profunda com a platéia.
Não comece uma
apresentação sem aquecimento
O que é o aquecimento para quem vai
apresentar-se em público?
É fazer pelo menos vinte minutos de
exercícios de dicção e articulação, e de relaxamento para os músculos da face e da
região do pescoço.
É repassar mentalmente o roteiro,
reforçando a introdução e o encerramento.
É concentrar-se para começar bem o
trabalho.
O aquecimento do comunicador deve ser
tanto físico quanto mental.
Faça um acordo com
a platéia
Quando essa técnica for pertinente,
pergunte aos espectadores o que esperam da apresentação. No flip chart, anote o
que eles querem e não querem receber. Apresente o seu programa original e diga que,
sempre que possível, vai inserir os pontos levantados. Assim se criará uma cumplicidade
com a platéia, que passará a contribuir para a melhor interação durante a
apresentação. No final, pergunte novamente aos presentes se eles estão satisfeitos com
o que receberam. Assim você demonstra o seu interesse de democratizar a apresentação,
inserindo-os no processo.
Mantenha contato
visual com a platéia
Essa é uma maneira de prender o
interesse da platéia, além de transmitir confiança e segurança. É o elo entre
apresentador e participante, através do qual muitos dados e intenções são
transmitidos. O contato visual é um importante canal de identificação da personalidade
do profissional.
Crie um clima
propício para aprendizagem
Para os profissionais que falam em
público, trabalhar o ambiente de atuação é fundamental para a boa comunicação.
Algumas orientações para melhorar o desempenho:
As teorias modernas destacam a
importância da integração no processo de aprendizagem. As contribuições dos
participantes são fundamentais para que novos conceitos sejam apreendidos. Deixe claro,
logo de início, que você está aberto ao diálogo. Transmita a idéia de que vão
trabalhar juntos numa mesma proposta. Não seja apenas simpático, crie empatia, ponha-se
no lugar da platéia, respeite suas crenças e seus valores. Aprender a lidar com as
diferenças fará de você uma pessoa mais flexível.
Demonstre que, para você, ensinar é
uma paixão, uma missão prazerosa. Se os participantes perceberem isso, o interesse
aumentará e as pessoas se sentirão à vontade para questioná-lo, porque querem conhecer
a sua resposta.
Não se desvie do assunto. Tudo o que
for apresentado deve fazer parte do universo de seu público.
Não prossiga a apresentação se
notar que algo não ficou claro. Isso pode comprometer a qualidade.
Harmonize o conteúdo
e a forma da mensagem
As pesquisas demonstram que nas
comunicações há uma necessidade emergencial do equilíbrio entre aquilo que se diz e a
maneira de dizer. Se houver incoerência entre palavras, voz e atitudes corporais, a
platéia tende a confiar mais ...
no corpo (expressões faciais,
gestos, movimentos) 55%
na voz (inflexões, tom,
intensidade, ritmo, ênfase, volume) 38%
nas palavras 7%
A maneira como veiculamos a mensagem
à platéia é tão importante quanto o próprio conteúdo da mesma. Não basta
preocupar-se só com as palavras. É preciso melhorar a forma (a linguagem corporal e
vocal) de transmitir as idéias para uma comunicação equilibrada, fluente e segura.
Seja simples e
natural
Lembre-se de que sua platéia quer se
comunicar com você, por isso ela está ali, e cabe a você facilitar o processo. A
comunicação, quando eficaz, se dá através de atos simples e naturais, resultados de
muito tempo de treino e observação. Que atos são esses que demonstram simplicidade e
naturalidade? Não há regra para identificá-los. Eles se manifestam naqueles momentos em
que a comunicação flui e a leveza do ambiente é favorável à troca. A simplicidade e a
naturalidade estão presentes quando identificamos e afastamos os obstáculos que
interferem na comunicação.
Não se poupe
Os seres humanos, quando se encontram
verdadeiramente, têm uma química irresistível. Em suas apresentações, procure estar
presente integralmente, o tempo todo. Invista nas relações interpessoais, dê o melhor
de si e busque o que o grupo tem de melhor. Chegue para valer. Energia atrai energia!
Tente por todos os meios transmitir as
informações de maneira democrática, lúdica e motivadora. Esteja presente com seu
coração, seu corpo, sua mente e sua alma. Não dê motivos para a platéia questionar
sua autoridade sobre o assunto e muito menos o seu profissionalismo. Esteja presente com
inteligência e sensibilidade. Seja criativo, humano e empático.
OBS. Material retirado dos seminários
Comunicação e Motivação.
Artigo publicado no boletim Insight de
22/11/99 do www.institutomvc.com.br . |