DARWIN ESTAVA CERTO
LUÍS ERNESTO
MEIRELLES
CONSULTOR
DO INSTITUTO MVC -
O processo de "seleção natural" é extremamente complexo e envolve variáveis
que são fortemente relacionadas ao "meio ambiente" em que a empresa está
inserida. É uma mistura genial de Darwin com Einstein - tudo é relativo .
Assim, o que garante o sucesso de uma empresa em um
determinado país pode, ao mesmo tempo, impedi-la de sobreviver em outro. Mesmo em tempos
de intensa globalização, as regras do jogo são diferentes.
A Xerox do Brasil é um excelente exemplo. Durante muitos anos, a filial brasileira foi
uma das principais responsáveis pelos resultados da corporação, que usava os lucros
obtidos por aqui para cobrir os prejuízos realizados em outras operações.
A Unisys foi outro exemplo marcante, na década passada.
As empresas, nesse cenário, lutam constantemente para continuar vivas e, assim, dia após
dia, se perpetuar. O negócio é continuar jogando, como afirma o consultor Clemente
Nóbrega em suas palestras.
Nesse cenário, a questão que se coloca como mais urgente é: o que fazer para se
adaptar constantemente e, assim, diminuir o risco de sair do jogo?
As respostas não são fáceis ou simples de serem alcançadas (por isso, o processo é de
seleção é para poucos). No entanto, alguns aspectos desse novo cenário são claros e
as empresas que quiserem se perpetuar (e não apenas sobreviver no curto prazo) terão que
considerar.
Segundo Michel Porter, a estratégia é, ao mesmo tempo, o filho preferido e o enteado
preterido da prática gerencial. Todos querem ter uma boa estratégia para falar dela,
para mostrar em suas apresentações. Mas são poucos os que se dispõem a "pagar o
preço" de implementá-las, de correr o risco de exercer opções excludentes.
O que as empresas acabam fazendo é confundir estratégia com excelência operacional e de
custos.
Estratégia é sobre ser diferente, sobre ter uma "oferta" para o mercado a
qual ele atribua valor. Para saber o que é uma oferta, vá a uma feira livre e preste
atenção ao que fazem os barraqueiros. Lá há excelentes lições sobre diferenciação,
oferta, valor percebido pelo cliente e diversos outros elementos que compõem uma boa
estratégia.
Estratégia é fazer escolhas (por mais duras e difíceis que elas sejam) que levem a
uma diferenciação dos demais players. Há dois tipos de diferenciais que uma empresa
pode estabelecer:
· Diferenciais Comparativos - aquilo que uma empresa
faz melhor do que a concorrência. Essas práticas são rapidamente copiadas, estreitando
cada vez mais a Fronteira da Produtividade (vide M. Porter - Competição, pág. 48 figura
2.1 - Editora Campus).
· Diferenciais Competitivos - aquilo que uma empresa
faz diferente da concorrência e que não pode ser copiado em curto espaço de tempo.
Desses dois diferenciais, com certeza a constante busca do segundo é o que garantirá a
perpetuação da empresa.
Consciência Cidadã:
Por enquanto, os programas de cidadania corporativa ainda são uma exceção no cenário
mundial. Mas, em muito pouco tempo, muito antes do que se pode imaginar, a "cidadania
empresarial" será um diferencial comparativo entre as empresas. Já há alguns casos
isolados de empresas nacionais que começam a acenar para seus fornecedores que colocarão
como condição que eles passem a ter também algum tipo de "programa de
retorno" para a sociedade.
Esse fenômeno não é fruto apenas de uma maior conscientização de alguns empresários
em relação às questões relativas à exclusão social. É também fruto da
constatação de que o Estado, sozinho, não tem como promover o desenvolvimento social
que suporte o crescimento econômico, ou seja, uma questão matemática de
sobrevivência. Uma visita rápida às paginas da Ashoka (www.ashoka.org.br), do Comitê pela Democratização
da Informática, (www.cdi.org.br), uma iniciativa tão
genial quanto necessária do Rodrigo Baggio. Ou dos Doutores da Alegria (www.doutoresdaalegria.com.br) - outra
iniciativa genial, dessa vez do Wellington Nogueira, pode dar a dimensão exata da
importância que a consciência cidadã vem tomando dentro das empresas. Elas estão lá
como sponsors e isso não é à toa ou fruto de mero assistencialismo. Esse
espírito assistencialista não permeia as iniciativas sérias do chamado "terceiro
setor", que já responde por 10% do PIB norte-americano.
Conectividade
e Capilaridade:
A empresa que estará presente no futuro colocará à disposição do mercado (parceiros e
fornecedores aí incluídos), também em curtíssimo prazo, as mais diversas formas de
acesso às suas ofertas. Mas não é só a conectividade comercial que fará a
diferença. A capilaridade logística será um fortíssimo diferencial competitivo.
Em todos os segmentos da economia nos deparamos, hoje, com um forte paradoxo: a
virtualidade cada vez maior das organizações e dos relacionamentos exige, ao mesmo
tempo, uma maior interface - face a face - entre todos os agentes de resultados (aí
incluídas as forças de vendas), na hora de implementar projetos que tragam ganhos
efetivos para a organização.
A economia em "tempo real" já chegou a mais tempo do que imaginamos (os Bancos
24 horas já têm mais de 15 anos e são um excelente exemplo de capilaridade logística)
e quem não estiver presente todo o tempo estará "fora do jogo".
Visão
Sistêmica:
Nesse cenário, a habilidade para perceber os impactos de cada decisão e a competência
para construir relacionamentos em rede será um diferencial competitivo e um fator
crítico para o sucesso dos profissionais e das empresas.
A otimização dos processos produtivos e o melhor aproveitamento do conhecimento já se
tornaram o alvo de todas as atenções. A capacidade para implementar mudanças que façam
com que a empresa esteja pronta para atender as demandas atuais e preparada para os
cenários futuros é o diferencial entre aquelas que estarão na ponta.
É a época do título
de um show dos Titãs - Tudo ao Mesmo Tempo, Agora ! Não basta
ter apenas uma dessas características. É preciso investir tempo e dinheiro para ter
todas.
Não se assuste. É assim mesmo. Já há empresas que têm essas características e que
estão buscando outras novas. Basta dar uma olhada nos seus concorrentes mais bem
sucedidos que você as encontrará.
OBS. Material retirado dos programas Liderança, Motivação e Energização do Instituto MVC.