As faces do sucesso
Gustavo G. Boog
Há poucos dias estava
apresentando a um grupo um check list dos principais requisitos para as empresas
terem sucesso. Muitos fatores que constroem o ser bem sucedido estavam sendo
detalhados e discutidos. Um dos participantes provocou uma animada e produtiva discussão,
argumentando que havia muitas empresas bem sucedidas que tinham, por exemplo, estilos de
liderança autoritários, que enfatizavam a hierarquia ao invés do trabalho em equipe e
que tinham estruturas organizacionais que estimulavam a segmentação ao invés da
integração. Isto tudo se confrontava e desafiava o que eu estava apresentando.
A
conversa acalorada nos conduziu à constatação de que tínhamos critérios diferentes
para definir o sucesso das empresas.
- É claro que sucesso quer dizer faturamento, patrimônio, crescimento, posição sólida de mercado, geração de lucro, dizia enfaticamente o participante.
- Concordo,
dizia eu, mas temos que ampliar o nosso entendimento sobre o que significa
sucesso, que tende a ser visto apenas na ótica dos aspectos mais visíveis e
palpáveis: lucro, patrimônio, visibilidade. Sem dúvida esta é uma das faces do
sucesso, mas não é a única!
A competência de uma empresa pode ser definida como o conjunto de habilidades desenvolvidas para oferecer continuamente produtos e serviços que encantam os clientes (*). Como se vê:
Não
podemos confundir a busca do encantamento ao cliente, o fim, o objetivo, com os
indicadores deste encantamento, que vamos agora chamar de as faces do sucesso
Para buscar, assegurar e reforçar esta competência, este sucesso, três faces se apresentam:
Estas
três faces, Resultados, Pessoas e Inovação, quando tratadas de forma integrada,
constituem-se no verdadeiro sucesso empresarial.
Resultados são imprescindíveis para assegurar a sobrevivência e crescimento da empresa. Tem um aspecto numérico, tangível e mensurável. Podem facilmente serem traduzidos em valores monetários. Estão ligados a aspectos mais lógicos, do mundo da razão, medido pelo QI Quociente Intelectual
Pessoas
asseguram a saúde da organização, base para resultados (podemos assegurar resultados
contínuos em organizações doentes?) . Estão ligados a aspectos tais como o
preparo e treinamento, a motivação, a dedicação, o comprometimento, o sentido de
equipe, as comunicações adequadas. São medidas pelo grau em que as expectativas
individuais, setoriais e empresariais estão alinhadas, bem como pelo grau de satisfação
das pessoas que trabalham na empresa. São aspectos mais emocionais, ligados ao QE
Quociente Emocional. Cabe lembrar que com um QE baixo o QI não se manifesta!
Inovação
é a face que assegura a longevidade da empresa, é a capacidade de re-inventar a empresa
de tempos em tempos. O sentido de missão, valores, de ingressar com confiança em campos
pouco conhecidos, a coragem de errar, a criatividade, o desapego do conhecido, da busca de
significados. Esta dimensão se liga ao QS Quociente Espiritual, que dá
significado a cada ação e gera a indignação santa que provoca as mudanças
e transformações necessárias. Se o QE de alguma forma mede a adaptabilidade, o QS mede
a força de transformação
Com
esta ampliação de visão, com a consciência destas três faces do sucesso, pudemos
finalizar nossa discussão de forma adequada, produtiva e harmoniosa.
(*)
Vide livro O Desafio da Competência, de Gustavo G. Boog, Editora Best Seller,
6a. Edição
www.guiarh.com.br/boog.htm .