Capital Espiritual (*)
Uma
nova visão de capitalismo e negócios está ingressando rapidamente na sociedade,
deixando cada vez mais evidente que é insustentável o foco imediatista do capitalismo
tradicional, em que valem apenas os
resultados financeiros e metas de venda do próximo trimestre, bem como as suas hipóteses
básicas sobre o ser humano, basicamente motivado por dinheiro e essencialmente egoísta.
As atividades de comércio e trocas tem mais de 40.000 anos, ao passo que o capitalismo
tem 200 anos. Há algo a aprender com isto? O lado positivo da globalização é que os
negócios podem transcender os governos, os políticos e as religiões. A globalização
nos faz apreciar melhor outras culturas, dando a chance de construir mais capital
espiritual.
Existem três tipos de capital nas organizações:
Se avaliarmos as crises pelas quais estamos passando, podemos resumi-las a uma crise de significado, portanto uma crise espiritual.
Assim como há diferentes tipos de capital, há também três tipos de inteligência:
Quais são as qualidades da inteligência espiritual?
1) Auto consciência sei quem sou? O que quero? Pelo que quero morrer? Por que gosto e não gosto? Tenho tempo para refletir sobre isto? É saber que nosso self é maior que nosso ego.
2) Motivação por visão e valores ir além de nossos interesses e de nossa família. É praticar o idealismo que transforma o mundo
3) Capacidade de lidar com adversidades quão bons somos em transformar as dores em aprendizagem? Nos Estados Unidos (e também no Brasil) não se gosta de falhas, de erros, e há o pressuposto de que tudo pode ser consertado, que tudo deve ser rápido e fácil. As adversidades questionam isto.
4) Ser holístico capacidade de ver a conexão entre fatos, idéias, locais e épocas, é o inverso de colocar cada coisa em um compartimento separado e estanque. É o interessar-se por tudo, num mundo em que a educação é voltada à acumulação de conhecimentos e não às conexões entre as matérias. Isto também é feito no mundo do trabalho, quando se diz: Faça apenas o seu trabalho!
5) Celebração da diversidade é ir além de uma % de minorias em nossa empresa e de ter tolerância aos diferentes. Celebrar a diversidade é reconhecer que você é diferente de mim, que você tem um histórico familiar e profissional baseado em outros fundamentos, assim como a tua religião é outra, e agradecer a Deus por isto, pois você me faz confrontar e me induz a re-avaliar minhas formas de ser, de pensar e de agir
6) Acreditar no que faz é ter a coragem de defender nossos pontos de vista, em qualquer situação
7) Por que devo fazer isto? é ter a insistência de uma criança de 4 anos de idade que pergunta por que?. Por que não posso fazer diferente? É preciso questionar o sistema, o jeito com que as coisas sempre foram feitas. As perguntas abrem, ao passo que as respostas fecham
8) Habilidade de conter-se sempre que vemos o quadro maior devemos equilibrar nossos desejos e aspirações individuais com os do todo
9) Espontaneidade é a habilidade de responder com o coração para quem está à nossa frente, sem preconceitos. É também assumir nossa responsabilidade pessoal, não se colocando como vítima ou colocando a culpa nos outros pelo que nos acontece
10) Compaixão é o sofrer com, é curar a alegria e dor dos outros, é estender a compaixão a todo o Universo. É o reconhecimento de que nós sempre existimos, desde o Big Bang, que dentro de nosso cérebro e corpo estão o DNA e a história inteira da humanidade
Quando
vemos estas qualidades da inteligência espiritual, podemos perguntar: não são estas as competências essenciais em nossas
organizações?
O papel das empresas é nutrir e abrir espaço para as pessoas usarem as suas inteligências espirituais, possibilitando assim o surgimento do ser humano, realizando desta forma os capitais materiais, sociais e espirituais.
Danah encerra dizendo que se ela puder deixar uma única e simples mensagem para nutrir a experiência espiritual, esta é fazer perguntas, perguntar sempre o por que?
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Transcrição de anotações da palestra de Danah Zohar e observações de Gustavo G. Boog