Decisões e Escolhas: Uma Questão Essencial
José Augusto Wanderley
Consultor
em negociação e administração do pensamento
A vida é a arte das escolhas,
dos sonhos, dos desafios e da ação
J. A. Wanderley |
Os caminhos da vida são
feitos de decisões e escolhas. Assim, o que cada um de nós é hoje, seja na sua vida
profissional, seja na sua vida pessoal, é conseqüência destas escolhas e das ações
adotadas para efetivá-las. Algumas são essenciais e importam decisões sobre nossa
religião ou nosso papel social. Outras são operacionais, como a roupa que vamos vestir
hoje para ir trabalhar.
O que vale para as pessoas também vale para
as empresas, ou seja, uma empresa sobrevive ou não, tem êxito ou fracassa, de acordo com
as decisões e escolhas que fez ou faz, de suas estratégias e foco, seus sistemas de
crenças e valores, seu estilo gerencial, seus processos, suas estruturas, as pessoas que
seleciona, o sistema de treinamento e desenvolvimento que adota. Ou, de acordo com Peter
Drucker, "o produto final do trabalho de um gerente são decisões e ações".
Assim sendo, três aspectos devem ser
considerados:
- A todo momento, queiramos ou não, conscientes ou
inconscientes, por ação ou omissão, estamos sempre fazendo escolhas. E nunca é demais
lembrar que não escolher já é uma escolha;
- Se queremos ser os timoneiros da nau da nossa vida, devemos
procurar ser conscientes das escolhas que fizemos e estamos fazendo, pois é esta
consciência que nos permite assumir a responsabilidade pelos nossos atos e,
conseqüentemente, continuar com o que estamos fazendo ou então mudar. É conveniente ter
presente que algumas escolhas deram certo em determinados contextos, mas que se adotadas
em outros podem ser profundamente negativas. Um pequeno exemplo: alguém que quando
criança, para obter o carinho e a atenção dos pais, chorava, fazia manha ou gritava.
Depois, quando adulto, para ter as suas necessidades de aceitação e reconhecimento
atendidas, adota comportamentos de essência semelhante que, sem a menor sombra de dúvida
serão totalmente inadequados, gerando respostas justamente opostas às desejadas;
- Podemos, através do desenvolvimento pessoal, aumentar a
nossa esfera de escolhas. Aprender, no fundo, importa ter mais opções, isto é, ampliar
possibilidades. A questão básica é o que aprender para que possamos ter êxito neste
mundo de crescente insegurança, complexidade, ambigüidade e imprevisibilidade. E isto
também é uma escolha.
De qualquer forma, é sempre conveniente ter
presente 6 escolhas que estamos fazendo a todo o momento.
1- Vida ou morte
O general franquista Millan dAstray, nas suas
palavras na Universidade de Salamanca, na frente do filósofo Miguel de Unamuno, proferiu
sua célebre frase: "Abaixo a inteligência. Viva a morte!". E esta é a grande
questão. Estamos escolhendo a vida ou a morte do planeta em que habitamos? Todas aquelas
pessoas ou empresas que contribuem com poluição ambiental e destruição dos
ecossistemas, chuvas ácidas, aumento da temperatura na Terra e a conseqüente elevação
dos níveis das marés, destruição da camada de ozônio, desmatamentos indiscriminados e
a existência de pessoas vivendo em condições subumanas, em função da ganância, da
busca do lucro Kamikaze ou da falta de consciência social, estão engrossando o coro de
Millan dAstray e à sua própria maneira estão repetindo com o general franquista:
"Viva a morte!"
Na realidade, esta é a grande questão ética, segundo a
qual todas as outras devem se ordenar. É saber qual a resposta a uma pergunta de Albert
Einstein: "Será que estamos fazendo deste planeta um lugar melhor para se
morar?" Ou estamos ao lado dos que não têm nenhuma preocupação com isto, pois,
como dizem, a longo prazo estaremos todos mortos.
2 - Os significados
A riqueza de nossa vida está muito relacionada aos
significados que damos ao que fazemos. É a história dos 3 operários que estavam numa
mesma obra e foram indagados sobre o que estavam fazendo. Um deles disse que estava
assentando pedras. O outro, que estava construindo uma escada. O terceiro, que estava
colaborando para a construção de uma catedral. Nós podemos escolher os significados que
damos a tudo o que fazemos e isto pode representar uma grande diferença.
3 - Passado ou futuro
orientado
As pessoas passado orientadas ficam querendo
mudar o que fizeram, como se pudessem entrar na máquina do tempo. Tendem a se lamentar ou
arranjar culpados e estão mais voltadas para ameaças. As pessoas futuro
orientadas buscam resultados, aceitam as situações existentes como um ponto de
partida, não confundindo aceitação com conformismo, e procuram identificar e agir de
acordo com as oportunidades. De qualquer forma é conveniente citar Franklin Delano
Roosevelt: "O progresso é realizado pelos homens que fazem e não pelos que discutem
de que modo as coisas deveriam ter sido feitas."
4 - Sistema aberto ou
fechado
Os seres humanos são e deveriam agir como sistemas
abertos, ou seja, em interação com o seu meio. Cada vez que as pessoas se fecham
através do dogmatismo, da arrogância ou da negação, estão agindo como sistemas
fechados. Prendem-se ao familiar e ao conhecido e, freqüentemente, ficam encasteladas em
torres de marfim. As pessoas que agem como sistema aberto estão em relacionamento, têm
consciência do fluxo contínuo de mudanças e sabem que a melhor forma de prever o futuro
é criá-lo.
5 - Crenças e valores
Uma das coisas que têm forte influência sobre nossos
comportamentos é o nosso sistema de crenças e valores. Neste sentido há quem diga que:
"Quer você acredite que pode, quer acredite que não pode, você está certo."
Todos nós temos um conjunto de crenças e valores que fomos adquirindo ao longo da vida e
que são determinantes do nosso comportamento. Algumas podem ser extremamente úteis, como
acreditar que tudo o que nos acontece pode ser uma oportunidade. Outras podem ser
negativas, como a de se acreditar vítima das circunstâncias, na base do "isto só
acontece comigo". Em geral as pessoas não analisam os impactos de suas crenças
sobre suas vidas e não sabem que podem e como mudá-las.
6 - Intervir e mudar
ou ser passivo
A consciência de que o que obtemos da vida está
profundamente relacionado às escolhas que fizemos ou fazemos nos permite estar abertos a
identificá-las e ratificá-las ou retificá-las. E esta é uma grande escolha final. É
possível mudar. E um bom modo de fazê-lo é com base em Jean P. Sartre: "Não
importa o que fizeram de mim, o que importa é o que eu faço com o que fizeram de
mim." Em suma, ser consciente das escolhas que fazemos é entrar no mundo mágico das
possibilidades. É saber que existem infinitas formas e caminhos e que a vida é daqui
para a frente.
JOSÉ AUGUSTO WANDERLEY
CONSULTOR EM LIDERANÇA E NEGOCIAÇÃO
E AUTOR DO LIVRO NEGOCIAÇÃO TOTAL: ENCONTRANDO SOLUÇÕES, VENCENDO RESISTÊNCIAS,
OBTENDO RESULTADOS
www.jawanderley.pro.br
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