Adoniram Barbosa, mestre do samba
paulista, diante de tantas homenagens que lhe prestavam, soltou a frase acima, lembrando
às pessoas que homenagens não pagam a conta do supermercado. Viveu e morreu
pobre. Cheio de homenagens....
Troféus, cartões de prata, top
de marketing, capas de revista, não pagam as contas das empresas. Conheço
empresários e empresas que vivem em busca de homenagens e se embalam num
mundo irreal de badalações que não levam a empresa a lugar algum.
Certa vez conheci uma revenda de
veículos que fez uma enorme venda, espetacular mesmo, de mais de 100 veículos a um só
cliente, de uma só vez. Com essa venda, foi homenageada pela montadora com troféus,
jantares, homenagens mil. Quando perguntei ao empresário quanto a revenda dele havia
ganho com aquela venda, ele, sem graça, me respondeu que havia perdido alguns
milhares de reais... e logo emendou:
mas, em compensação, ganhei prestígio junto à montadora, ao presidente
mundial.... Depois fiquei sabendo que até os jantares foram pagos, na verdade, por
ele, revendedor, o que aumentou o seu prejuízo.
Sem entrar no mérito se esse
empresário deveria ou não ter feito essa venda e quais os motivos que o levaram a
fazê-la, gostaria de ressaltar que uma empresa não vive, nem sobrevive de homenagens.
E o empresário, o diretor, o gerente, tem que tomar cuidado com o seu ego,
com a sua vaidade, para não incorrer nesse risco e não cair nessa verdadeira armadilha
de ter uma empresa super homenageada porém quebrada.
Troféus, jantares e homenagens só
têm sentido se a empresa estiver financeiramente sadia e como prêmio pelos seus
resultados positivos. Uma empresa verdadeira não pode servir de massageadora de egos
de seus donos e dirigentes. Se o empresário ou dirigente quer aparecer e ser
homenageado, deve entrar na política, candidatar-se a vereador, deputado, ser presidente
de time de futebol ou o que quer que seja. Usar a empresa será fatal.
Muitas empresas ostentam em seu
portfólio de clientes, multinacionais de primeira linha, empresas mundiais, etc. Porém
essas empresas exigem descontos e prazos que fazem seus fornecedores experimentarem até
prejuízo na venda de produtos e serviços. Essas grandes empresas sabem e contam com a
ingenuidade das pequenas e médias empresas que sentem-se orgulhosas em
tê-las como clientes, mesmo tendo prejuízo.
Conheço, igualmente, empresas com
sedes maravilhosas, caras, com custo de manutenção incrivelmente elevado. Tudo para
massagear o ego de seus dirigentes. Na verdade, no mundo virtual em que
vivemos, essa mesma empresa poderia estar em qualquer local, num edifício de baixo custo.
Em nada a sede pomposa ajuda na qualidade dos produtos ou serviços que presta
a seus clientes.
E assim, vejo empresas fazendo
verdadeiras loucuras para conquistar um novo cliente só para satisfazer o ego
de seu pessoal. Vejo empresas dando descontos indecentes, prazos inaceitáveis, fazendo
concessões inimagináveis, enfim perdendo dinheiro e muito só para que o seu
concorrente veja do que ela é capaz.
Vejo empresas que fazem coisas
absurdamente contrárias à boa prática financeira para conseguir um top de
marketing na ilusão de que com esse prêmio o mercado a reconhecerá e pagará
no futuro um prêmio pelos seus produtos.
Ao mesmo tempo conheço empresas que
não aparecem muito. Não vivem atrás de taças, prêmios e troféus e que são
absolutamente saudáveis financeiramente, firmes, dominam o seu mercado e prestam um
excepcional serviço, conquistando a preferência de seus clientes que pagam a ela o
valor que ela entrega.
Faça uma análise fria e objetiva e
veja se você ou sua empresa não estão caindo nessa armadilha de andar atrás de homenagens,
desviando o foco das vendas, da conquista do mercado, da geração de caixa.
Veja se você, como empresário ou
dirigente, não está usando sua empresa para massagear seu ego em vez de
ganhar dinheiro. Cuidado, lembre-se do velho Adoniram Chega de
Homenagens! Quero o meu dinheiro
Pense nisso. Sucesso!