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Nova Lógica das Organizações FRANCISCO BITTENCOURT
CONSULTOR DO INSTITUTO MVC
" Você tem o desempenho
que você paga"
Edward Lawler III, From the ground up
Imaginemos uma sociedade onde as reflexões
que se seguem fossem tomadas como paradigmas organizacionais:
- A visão da organização como uma unidade
econômica deve ser revista (1);
- Gestores devem se prover de ferramentas intelectuais
que os permitam desenvolver habilidades e políticas e se entrosar com diversas áreas de
conhecimento (2);
- Gerentes efetivos devem adotar estilos que não
inibam o comprometimento e a motivação dos outros (3);
- Há uma necessidade de se reconhecer, por parte dos
gerentes, diferenças individuais (4);
- Organizações podem tornar-se lugares onde as
pessoas possam desenvolver experiências de crescimento, equilibrando o poder entre
intelecto e anseios pessoais com o poder da intuição e do amor (5);
- As pessoas querem coerência e um senso lógico no
sentido de atingirem uma situação de bem estar e de harmonia uns com os outros (6);
- Gerentes efetivos dialogam e interagem
responsavelmente com os outros, conseguindo compreender de forma enfática o conceito de
tudo que o universo onde operam, e promovem união e qualidade no relacionamento em seu
contexto social (7);
- Gerentes verão a si próprios como administradores,
gerenciando o crescimento, a coesão e o renascimento (8);
- Organizações começam timidamente com pequenas
inovações e progridem para uma dimensão em que introduzem sistemas, estruturas, onde a
descentralização e a liderança pessoal são vistas em todos os níveis (9)
Esta é nossa sociedade contemporânea.
Globalizada, competitiva, infestada por uma megatonelagem de informações e vivenciando
um cenário de mudanças em constante processo de transformação.
Este cenário nos mostra um constante movimento de
mudanças, e nem sempre estamos em condições de dominá-lo. Há determinadas situações
onde sequer conhecemos os perfis destas mudanças, sabemos tão somente onde elas vão
acontecer, e quais suas conseqüências.
Em outras situações até conhecemos estes perfis,
mas as mudanças se revelam em níveis inalcançáveis, e nada podemos contra elas. Nos
dois cenários de mudanças que nos restam estamos em condições de influenciá-las ou
até mesmo controlá-las, mas, sem dúvida, são fenômenos de dimensões, volume e
quantidade inferiores aos outros dois.
Neste momento é que percebemos a necessidade de
enfrentar este cenário de mudanças com estruturas internas, nas organizações baseadas
em equipes fortes, sinérgicas, com estruturas de sustentação sólidas, gerando o que
Kotter (10) chamou de coalizões poderosas.
Este cenário, que está representado pelas
reflexões que abrem este texto, geram o que denominamos A NOVA LÓGICA DAS
ORGANIZAÇÕES.
Sob esta nova lógica, os líderes destas
organizações devem dar início a uma mudança significativa em seus paradigmas de
gestão:
- A própria estrutura organizacional deve funcionar
como um diferencial competitivo, por sua dinâmica, sua linha de atuação, suas
políticas e seus perfis de dominância interna, preferivelmente integrada
lideranças e bases produtivas;
- Cada um dos colaboradores destas organizações
devem estar conscientes de que, com suas atitudes, comportamentos e posturas devem agregar
valores significativos ao resultado final;
- Nestas organizações modelos de abordagem da
liderança devem ser mais importantes do que estilos pessoais de liderança; líderes
devem ser reconhecidos como tal por sua capacidade de influenciar pessoas e gerar
resultados através estas pessoas, segundo Drucker (11);
- O núcleo superior de decisão dessas organizações
devem entender que carisma, empatia e popularidade até podem ser importantes na relação
interna nas organizações, mas não significam liderança; o que caracteriza a liderança
é a capacidade efetiva de gerar resultados por intermédio das pessoas;
- Nas organizações que se proponham adotar a nova
lógica é fundamental entender que a gestão de pessoas se faz em toda a organização;
unidades de recursos humanos funcionam como consultores internos, gerando recursos e
condições para um efetivo gerenciamento do talento, conhecimento e do capital humano
disponível;
- Processos seletivos, atividades de treinamento,
aperfeiçoamento e desenvolvimento devem ter como foco as habilidades individuais e o
objetivo a geração de resultados, com a meta de minimizar custos, otimizar recursos e
investimentos e maximizar resultados e lucros;
- A formação e consolidação de equipes internas
produtivas, gerando coalizões poderosas (como Kotter definiu), e onde o principal
instrumento de ação é a negociação;
- O instrumento básico de controle dessas
organizações que adotam a nova lógica é o comprometimento compromisso com
obrigação, representado por uma linha de ação divulgada e entendida por toda a base de
colaboradores:
- estratégias, ou a direção a ser tomada
- objetivos, ou as ações a serem implementadas
- metas, ou a dimensão valorativa destes objetivos
Alguns outros aspectos são fundamentais no
processo de efetivação desta forma de gestão e com eles, as organizações complementam
seu universo interno:
- a linguagem praticada pela organização deve ser
construída com base no mecanismo da linguagem de gerência objetivo, resultado e
lucro (é sempre assim que as organizações ditas produtivas, no modelo neoliberal se
manifestam);
- a linguagem entendida pelos colaboradores deve ser
arquitetada pelas lideranças internas com base no mecanismo da linguagem de estimulação
reconhecimento, oportunidade e participação (contrapartida social ao
neoliberalismo organizacional); esta linguagem de estimulação leva ao envolvimento e ao
comprometimento;
- o mecanismo de comunicação interna deve ser
desenvolvido por um processo de comunicação não ameaçadora, caracterizado por:
- abordagens espontâneas
- mensagens com sentido (entendidas e internalizadas)
- perfis de linguagem questionadoras e não julgadoras
- posturas assertivas e não agressivas, francas e
não rudes
A organização deve ser construída e desenvolver
seus processos de evolução e liderança em torno de dois componentes básicos: clientes
e produtos.
Processos participativos de gestão são bem
vindos. Mas devem ser entendidos como processos onde mecanismos de proteção,
paternalistas, autocráticos ou liberais são vistos com desconfiança.
Para que, nesta nova lógica, esses paradigmas
resultem em contribuições efetivas para o negócio, deve-se entender que:
- gerenciar a atenção é uma necessidade
fundamental, na medida em que a percepção (estar atento a tudo o que se desenvolve no
cenário) é o primeiro passo para consolidar mudanças comportamentais;
- gerenciar o significado, de forma a que a todo o
instante as mensagens trocadas na organização façam sentido, não só para quem emita,
como para quem receba;
- gerenciar a confiança, de maneira a que seja
praticado o autogerenciamento, forma de comprometimento do indivíduo com seu próprio
crescimento, e uma das chaves fundamentais da nova lógica;
A necessidade de se construir, na organização
unidades de negócio interdependentes, onde seus membros estão conscientes de processos
de gestão por resultados formais, acompanhados de gestão do desempenho (negociados
internamente) levam a real efetividade = eficiência + eficácia, instrumentaliza a
organização para enfrentar o cenário mencionado no início desta matéria.
As organizações adeptas da nova lógica têm a
necessidade de entender que profissionais cuja retribuição ao trabalho é compatível
com o nível de exigência, em relação a resultados, padrões de qualidade e
comprometimento esperam que se concretize a máxima que abriu este texto: a organização
tem o desempenho que paga.
Isto é pensar sob a nova lógica.
www.institutomvc.com.br
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- Tofler, Alvin. 1.980, A Terceira Onda.
Collins
- Tofler, Alvin, 1.980, A Terceira Onda.
Collins
- Nolan, V. 1.981, Open to change. MCB
Publications
- Moss Kanter, Rosabeth. 1.983, The change
masters, Simon & Schuster, NY
- Harrison, Roger. 1.987, Organization Culture
and Quality of Service: A Strategy for releasing love in the workplace. Assoc. of
Management Association Education & Development.
- Jones, M.O,Moore,M.D.,Snyder,R.C.1.988,
Inside Organizations. Sage Publications
- Srivatsva, S. and Associates. 1.988,
Executive integrity, Jossey-Bass Publishers.
- Levinson, ibidem
- Stewart, A, Maxon, J. 1.988, Management
succession during organization change. Paper presented at AMED Conference.
- Kotter, John, 1.996, Liderando a Mudança,
Campus
- Hesselbein, Frances e outros. 1.996, Líder
do Futuro, Campus
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