GESTÃO DO CONHECIMENTO
A "explosão da informação" sobre a qual muito se comenta e escreve, é também, em grande medida, a explosão da informação errada e mal organizada (...). A revolução digital apenas agravou os problemas Murray Gell Mann.
Acredito, que já não pairam dúvidas que o conhecimento é o recurso econômico mais
valioso para a competitividade das empresas e das nações. Porém, tenho observado uma
grande distorção por parte dos gestores, que na tentativa de se adequarem às novas
exigências de mercado, fazem grandes investimentos em infra-estrutura tecnológica,
acreditando ser o suficiente, e raramente obtêm êxito.
A Tecnologia da Informação com certeza trouxe grandes benefícios, novas tecnologias
para comunicação com grande largura de banda, administração orientada a objetos e
multimídia, só para citar algumas, ampliaram o ambiente informacional.
Paradoxalmente, chegou o momento, que precisamos aprender a pensar além das máquinas. A
tecnologia é apenas um dos componentes da gestão do conhecimento, e freqüentemente não
se apresenta como o meio mais adequado para operar mudanças. Pois muitas das mudanças
terão que ser pessoal e não tecnológica.
A Gestão do conhecimento tem como ponto central o ser humano, ou seja, a informação tem
um lado humano comportamental, que acaba influenciando e formando a cultura informacional
da empresa. Até o Papa João Paulo II reconheceu e escreveu: "Se antes a terra, e
depois o capital eram os fatores decisivos de produção ... hoje o fator decisivo é cada
vez mais, o homem em si, ou seja, seu conhecimento".
Como todo processo de mudança, a Gestão do Conhecimento tem encontrado muitas barreiras,
muitas das empresas ainda operam em um sistema feudal, com vários executivos defendendo
em seus castelos as informações chaves, combinado com uma forte corrente de utopia
tecnológica.
Na nova economia as pessoas, estruturas e clientes formam o Capital Intelectual, e o
modelo de gestão é democrático, valorizando a habilidade, iniciativa e a criatividade.
Betty Zucker afirma: "As universidades estão repletas de pessoas brilhantes, mas
não são um exemplo de brilho coletivo. Como fluxo de conhecimento é pequeno, a
universidade não é inteligente como um todo. Por outro lado, as pessoas que trabalham no
MC Donald´s tem QI médio, mas trata-se de uma organização muito inteligente, capaz de
oferecer a mesma qualidade em diversas culturas. Eles modularam e padronizaram seu
conhecimento". Portanto, o Capital Intelectual é a "capacidade organizacional
que uma organização possui de suprir as exigências de mercado". Esta definição
poderia ser ampliada, incluindo o valor do relacionamento com os fornecedores não
poderíamos chamá-lo de "capital de relacionamento"? seja o relacionamento com
os fornecedores ou com os clientes, sua economia e dinâmica são as mesmas".
Stan Davis, diz "que na era do conhecimento as empresas devem se configurar a fim de
oferecer inovações para seus clientes com tal rapidez que raramente se dêem ao trabalho
de criar estruturas sofisticadas como departamentos. Elas simplesmente agem.
As empresas devem investir em seus clientes da mesma forma que investem em pessoal e em
estruturas. O capital do cliente é muito semelhante ao capital humano não se pode
possuir os clientes, do mesmo modo como não se pode possuir pessoas. Mas da mesma forma
como uma organização pode investir em funcionários não apenas para aumentar seu valor
como indivíduos, mas também para criar ativos de conhecimento para a empresa como um
todo, a empresa e seus clientes podem aumentar o Capital Intelectual.
O mercado é a mãe das inovações, e o destruidor das burocracias. Júlio Rotemberg,
diz: "não se pode simplesmente assumir uma organização pesada, contratar
indivíduos inteligentes e esperar que as coisas boas aconteçam". Obter resultados
investindo em conhecimento requer um sistema e uma cultura organizacional que permitam o
livre fluxo do conhecimento, o que significa descartar regras que abafem novas idéias.
Concluindo, a verdadeira Gestão do Conhecimento, não ocorrerá sem maiores mudanças nas
abordagens de gerenciamento e na estrutura organizacional, o espírito empresarial deve
estar sintonizado com uma gerência que valoriza muito a agilidade, utilizando mais o
reconhecimento do que as penalizações, tendo como cultura empresarial o controle de
estratégias ao invés de comportamento.
ROMEU MENDES DO CARMO
Referências bibliográficas utilizadas neste artigo:
Ecologia da Informação Davenport, Thomas H 1998
Capital Intelectual Stewart, Thomas A. - 1997