COMO PLANEJAR E EXECUTAR UM TREINAMENTO
Jorge Eduardo de Vasconcellos
Pós-Graduando em Gestão de Recursos Humanos na UGF
Bacharel em Administração de Empresas pela UGF
E-mail: ed.rh@mailbr.com.br
Tel: 596-7905
Treinamento: uma breve conceituação
Não há possibilidade de nos desenvolvermos economicamente e, consequentemente,
elevarmos o nosso nível social, sem aumentarmos as nossas habilidades, sejam elas
intelectuais ou técnicas. Logo, aumentar a capacitação e as habilidades das pessoas é
função primordial do treinamento.
Treinar é "o ato intencional de fornecer os meios para proporcionar a
aprendizagem" (CHIAVENATO, 1994, p. 126), é educar, ensinar, é mudar o
comportamento, é fazer com que as pessoas adquiram novos conhecimentos, novas
habilidades, é ensina-las a mudar de atitudes. Treinar no sentido mais profundo é
ensinar a pensar, a criar e a aprender a aprender.
O treinamento deve incentivar ao funcionário a se auto-desenvolver, a buscar o seu
próprio meio de reciclagem. O profissional de treinamento por sua vez, deverá
conscientizar os funcionários da importância do auto-desenvolvimento e da busca
constante do aprendizado contínuo.
A missão do treinamento pode ser descrita como uma atividade que visa: ambientar os novos
funcionários; fornecer aos mesmos novos conhecimentos; desenvolver comportamentos
necessários para o bom andamento do trabalho e, atualmente vem tendo a sua maior missão
que é de conscientizar os funcionários da importância de auto-desenvolver-se e de
buscar o aperfeiçoamento contínuo.
Ao se treinar um empregado, este pode se sentir prestigiado perante sua empresa, pois
desta forma ela demonstra sua preocupação em capacitar bem seus profissionais, dando-lhe
a oportunidade de crescimento pessoal e profissional.
Como já ressaltamos, o treinamento é uma responsabilidade gerencial, onde a área de
treinamento servirá para dar apoio ao gerente, fornecendo, recursos, programas, material
didático e assessorar o gerente na elaboração dos programas de treinamento. O gerente
deve se preocupar com a capacitação de sua equipe cuidando para que ela receba
treinamento adequado continuamente.
Planejando um Programa de treinamento
Um programa de treinamento deve se guiar por determinados pontos imprescindíveis para
o seu sucesso:
Identificar o cliente: este é o ponto de partida para a elaboração do programa.
Se a identificação do cliente estiver errada, todo o programa perderá o seu sentido.
Para a identificação, pergunte: Qual é o problema a ser solucionado? Quais são as suas
necessidades? E que resultados deverão ser alcançados? Somente o cliente terá as
respostas para estas perguntas.
Levantamento de necessidades (LN): Para que um programa de treinamento tenha o
resultado esperado, temos que ajustar as ações da área de treinamento com as
necessidades da instituição. Ao realizarmos um levantamento de necessidade temos que
tomar cuidado para não cairmos na tentação do resultado imediato cobrado pelos
empresários.
O LN trará a tona a "carência observada no indivíduo ou no grupo, diante do
padrão de qualificação necessário para a boa execução da tarefas de uma
função"(TOLE e MILIONI, p. 88).Os resultados aqui traçados definirão as ações a
serem tomadas posteriormente.
Para realizar o LN podemos utilizar os seguintes instrumentos: Questionário; Avaliação
de desempenho; Discussão em grupo; Reuniões inter-departamentais; Entrevista
estruturada; Pesquisa de clima; Pesquisa de satisfação de clientes, entre outros.
Seja qual for o instrumento utilizado não podemos abrir mão da criatividade, tendo
sempre em mente os objetivos da empresa.
Diagnosticar o problema: nesta etapa o profissional de treinamento, irá analisar o
desvio encontrado e assim verificar se o problema é solucionável através de um programa
de treinamento.
Elaborando um Programa de Treinamento
A elaboração de um programa de treinamento sempre será realizado com base em uma
perfeita identificação e interpretação das necessidades reais de treinamento.
Para definirmos com exatidão o que faremos no treinamento, será fundamental
identificarmos os seguintes pontos:
Público-alvo: a correta identificação e análise da população que será
atingida pelo programa, garantirá um percentual do sucesso do treinamento. Isto porque,
um treinamento voltado para os técnicos, não poderá ser o mesmo utilizado para os
gerentes e vice-versa.
Objetivos: É o que se pretende alcançar com um programa de treinamento. Hoje
quando as empresas passam por dificuldades financeiras o primeiro corte de verbas é
realizado na área de treinamento. Isto se dá porque os resultados concretos obtidos em
um programa de treinamento, não são fáceis de se alcançar e de demonstrar, por isso
temos que definir os objetivos com algumas características essenciais: ter desempenho
final a ser alcançado (elaborar folha de pagamento); ter um período determinado
(mensal); ter um padrão de satisfação (sem erros).
Desta forma os objetivos serão facilmente atingidos com a realização do treinamento.
Definição dos temas: ao se estabelecer os objetivos a serem alcançados, podemos
definir quais temas serão abordados e quais assuntos serão levantados dentro deste tema,
para melhor atingir os resultados.
Metodologia: é a forma utilizada para o desenvolvimento do programa de
treinamento. Levando em consideração as necessidades estabelecidas pelo cliente, será
possível escolher a metodologia a ser utilizada. Vejamos os métodos mais utilizados: Sala
de aula; Treinamento à distância; Internet; No local de trabalho.
Processos e técnicas: "Vários fatores do treinamento podem influir na
escolha da técnica, tais como nível do treinando, forma do treinamento, tipo de
necessidades, duração dos cursos, recursos humanos e materiais, condições físicas e
ambientais" (FONTES, p. 64). Para que a técnica utilizada seja de grande proveito,
deverá ser criativamente adaptada para a realidade local. Vejamos agora quais são as
técnicas mais utilizadas: Conferências ou palestras; Estudos de caso;
Dramatizações; Dinâmica de grupo; Jogos de empresas
Tendo escolhido a metodologia a ser desenvolvida e as técnicas a serem utilizadas, o
instrutor poderá contar com recursos didáticos que servem para esclarecer uma
demonstração, motivar o grupo para uma reflexão e favorece a memorização dos assuntos
apresentados(Cf. FEULLETTE, 1991, p. 126). Vejamos agora quais são os recursos mais
conhecidos: Vídeo cassete/televisor; Gravador/Aparelho de som; Cartazes;
Retroprojetor/Transparência; Apostilas; Quadro negro; Flip-chart; Computador.
Plano de aula: Com todas as etapas anteriores preenchidas deve-se elaborar um plano
de aula. Este é um instrumento que irá auxiliar o instrutor na realização do
treinamento. No plano devem conter as seguintes
informações: tema central do treinamento, assuntos a serem abordados, horários,
técnicas e recursos didáticos.
Tempo e custo: Devemos levar em consideração estes dois fatores antes de
terminarmos a elaboração de um programa de treinamento.
O tempo deve ser determinado a partir das necessidades e características do cliente e do
publico-alvo, assim como a importância do tema a ser abordado. O mau planejamento do
tempo pode causar a perda de informações essências no termino do programa.
O custo deve ser levado em consideração, e este deve ser confrontado com os benefícios
que o treinamento irá proporcionar ao cliente.
Podemos identificar como custo os seguintes pontos: salários dos instrutores ou
consultores externos, despesa com local, refeições, passagens, estadias, materiais,
entre outros.
Executando um programa de treinamento
Terminada a fase de elaboração do programa de treinamento, entramos na fase de
execução, que envolve a convocação dos treinandos e a execução do treinamento
propriamente dito.
Convocação dos treinandos
É muito comum o instrutor se defrontar com treinandos desmotivados e desinteressados,
onde o instrutor terá que desfazer toda esta resistência. Isto acontece porque os
treinandos não estão cientes da real importância do aprendizado contínuo.
Para que se minimize este problema ao se convocar um funcionário para um treinamento
temos que ser criativos e inovadores, temos que aguçar a curiosidade do público alvo, e
para isso, podemos: Deixar de lado aqueles velhos memorandos e passemos a usar um convite
ou algo mais atrativo; Procurar conhecer os pontos fortes dos treinandos fazendo uma
rápida reunião com seus superiores; Quando iniciarmos um programa de treinamento diga
coisas agradáveis sobre o grupo. Esta atitude fortifica os treinandos; No início do
programa deixe bem claro quais são os ganhos que os treinandos terão com a realização
deste treinamento.
Os instrutores
São aquelas pessoas que irão atuar na transmissão do conteúdo teórico e prático
do programa de treinamento.
Para se definir um corpo de instrutores devemos analisar o currículo dos indicados, para
verificarmos se são adequados para o programa, somente a partir destas análises
convocaremos os instrutores.
Para que um programa de treinamento tenha sucesso o instrutor deverá estar preparado para
atuar como um verdadeiro agente de mudança. A atuação deste que poderá garantir o
alcance dos objetivos estabelecidos e o sucesso do treinamento.
O instrutor deve possuir algumas características básicas para que ele possa obter
sucesso na transmissão de conhecimento. Vejamos algumas: personalidade: transmitindo
segurança; conhecimento do assunto; habilidade para lidar com ambigüidades; motivado
para a função; criar vínculo com o público; liderança: ter influência; habilidade em
vender idéias; criativo; empatia: colocar-se no lugar do outro; ser ético nas
relações, nos procedimentos e nas análises.
Avaliando os resultados
O que mais importará para a organização é estar ciente do tipo de retorno que o
programa de treinamento irá trazer para a empresa. Portanto, ao terminar um treinamento
devemos avalia-lo junto com os treinandos e checar posteriormente se ele trouxe realmente
benefícios para a empresa.
Ao se investir em treinamento espera-se que haja "aumento de produtividade, mudanças
de comportamento, melhoria do clima humano na organização, redução de custos e de
acidentes, rotação de pessoal, além de outros resultados" (TOLEDO e MILIONI, p.
89).
Conclusão
O aumento da competitividade aliado ao contínuo e assustador avanço da tecnologia,
faz com que as empresas passem a se preocupar com o freqüente aperfeiçoamento de seus
funcionários.
Sendo assim, as empresas deverão se tornar verdadeiros "educandários", onde o
gerente seja o educador, e os seus funcionários serão os educandos. Trazendo a tona o
verdadeiro sentindo da educação, que é de desenvolver a capacidade física,
intelectual, e moral do ser humano, levando este a se integrar e interagir com o meio que
o cerca, podendo refletir criticamente sobre as mudanças ocorridas a sua volta e dessa
reflexão tomar uma decisão e rumo a seguir.
Logicamente esta postura não será alcançada de uma hora para outra nas organizações,
cabe aos profissionais de Recursos Humanos e verdadeiros agentes de mudança, fazer desse
princípio uma realidade imprescindível para o sucesso das empresas.
Convém relembrar que o treinamento é um processo contínuo de aprendizagem elaborado e
planejado pelos profissionais de Recursos Humanos com total apoio da alta gerência.
Vimos que um programa de treinamento envolve algumas etapas que devem ser seguidas para
garantir o sucesso do treinamento, são elas: identificação do cliente, levantamento de
necessidades, diagnósticos, elaboração ou planejamento, execução e avaliação do
resultados obtidos com o treinamento. Elas não funcionam isoladas mais sim em conjunto
umas com as outras, a folha em qualquer etapa pode por a perder todo programa. Assim,
temos que encarar cada parte como sendo de vital importância para o sucesso do
treinamento e para pleno alcance dos objetivos estabelecidos.
O responsável pelo programa deve empenhar-se ao máximo para fazer com que o treinamento
se torne um investimento feito pela empresa e que após o seu término traga reais
benefícios para a organização e seus funcionários.
A abrangência do papel do treinamento na empresa moderna não se restringe apenas em
oferecer condição para que o empregado melhor se capacite ou se desenvolva, mas também,
como força capaz de intervir na organização e no processo produtivo. Só entendendo
assim, poderemos dar à empresa o que ela espera - força capaz de ajudá-la na árdua
tarefa de maximizar resultados, minimizando os custos e otimizando os recursos humanos
disponíveis, tornando-os mais eficientes e mais eficazes.
Bibliografia
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO. Manual de treinamento e
desenvolvimento. 2ª edição, São Paulo: Makron Books, 1994.
CHIAVENATO, Idalberto. Gerenciando pessoas. 2ª edição. São Paulo: Makron Books,
1994.
FARIA, Heloiza M. Nogueira. "Treinamento de recursos humanos como fator ou
produtividade". In: Caderno Cândido Mendes, 1992.
FERREIRA, Paulo Pinto. Administração de pessoas: relações industriais. São
Paulo: Atlas, 1992.
FEUILLETTE, Isolde. Recursos Humanos, o novo perfil do treinador. São Paulo:
Nobel, 1991.
FONTES, Lauro Barreto. Manual de treinamento na empresa. São Paulo: Atlas, 1975.
TOLEDO, Flávio e MILIONI, B. Dicionário de Recursos Humanos. 3ª edição. São
Paulo: Atlas, 1986.
WULF, Katie. "Tecnologias multiplicam as formas do aprendizado". RH em
Síntese. N. 18, set/out. 1998.