Como Investir no Imprevisível
Gisela Kassoy
Pobres economistas, não dão uma dentro ! Ou pobres de nós, que baseamos nosso futuro
em previsões econômicas que nunca se realizam ?
Talvez a lição mais sábia que as últimas crises nos ensinaram é que teremos que lidar
cada vez mais com imprevistos. E não estamos falando apenas de jogo de cintura, ou das
pequenas surpresas do dia a dia.
Estamos falando em planejamento de carreiras, lançamento de produtos e decisões de vida
que precisam ser tomadas no quase no escuro.
Já que essa passou a ser nossa realidade, está na hora de aceitá-la . Mais ainda ,
precisamos passar a pensar e agir contando com o imprevisível .
Como fazer ?
Em primeiro lugar, vamos ter que transformar nossa forma de pensar. Vamos ter que nos
livrar de velhos paradigmas - aqueles do tempo em que Planejamento, Organização e
Controle ditavam as regras da administração .
Não é o caso de sair cantando "Que será, será...". Imaginar cenários é
útil, mas não podemos esquecer que previsão não é certeza . A própria divisão entre
"a previsão mais otimista" e "a mais pessimista" é linear e não
conta com fatores que serão bons ou maus em função da forma como nós o administrarmos.
Não saber o que vai acontecer também não é pretexto para evitarmos a inovação.
Teremos que combinar o pensamento proativo com muito jogo de cintura, muita habilidade
para perceber reações externas e capacidade para mudar a todo instante. Um exemplo ? V.
sabia que nos Estados Unidos , quando os bancos lançaram os caixas automáticos eles
tinham em mente um público de executivos, ou pessoas ocupadas em geral. Pois os
principais clientes dos caixas automáticos no início foram os imigrantes, pessoas que,
pela dificuldade com o inglês não gostavam de se dirigir ao caixa .
Houve um erro estratégico ? Talvez, mas e daí ? Em vez de se preocuparem com erros e
culpados , os bancos passaram a localizar seus caixas automáticos nos bairros onde
moravam os tais imigrantes .
Moral da História : Um produto não sai pronto da mente de seu criador : o que ele cria
é uma visão que se aprimora durante sua produção, seu marketing e através das
respostas dos clientes .
Se acreditamos que fazer dar certo significa fazer algo acontecer da forma que havíamos
previsto, não perceberemos as oportunidades embutidas no que não havíamos previsto. Ou,
conforme dizem vários autores americanos, as soluções assemelham-se menos a uma
orquestra e mais a uma jam session ( improviso do jazz). Na orquestra, há
vários instrumentos , mas o tema já foi escrito e o resultado é sempre a soma das
partes. Na jam session, os músicos interagem livremente e não há condutor. O resultado final é sempre uma
surpresa.
Fórmula Mágica
Não podemos mais confiar numa fórmula ou receita para atingirmos
resultados. Receitas prontas são insossas e todos podem fazer, inclusive, evidentemente,
a concorrência.
Gerar idéias, produtos, soluções hoje se assemelha a gerar um filho : usa-se amor,
toque pessoal e muita expectativa . Mas filhos nascem e crescem do jeito deles. .Pode-se
dar por feliz quem consegue influenciar seus destinos, mas não será mais possível
controlá-los.
Gisela Kassoy é consultora especialista em Criatividade e Administração de Mudanças. www.giselakassoy.com.br