Quando a arte de perguntar é a solução
Por Leila Navarro
Atualmente, uma das coisas que mais me dá prazer é pensar. Mais do que falar.... E
isto é quase um milagre, pois num mundo tão estimulante, tão excitante e exagerado,
onde tudo nos chama para a reação, para fora do ser, a introspeção não é vista com
bons olhos, até porque ela não está na moda nem na mídia. Para o marketing, a
introspeção não interessa. O que interessa são as respostas reativas, emocionais e
rápidas. A rapidez, aliás, é outro exagero dos nossos tempos. E quando vem acompanhada
de decisão, consegue ser pior ainda.
Agora, se o negócio é pensar, que venha a introspeção, devagar, sem exagero, sem o
compromisso acabado da decisão. Eis o milagre.
Para pensar é necessário e imprescindível que você tenha tempo. Tempo para
pensar, para digerir, para refletir. Exatamente o contrário do que nos pede estes
urgentes tempos que viemos. Estamos empanturrados de tanta informação, e não sabemos o
que fazer com ela, exatamente quando temos que tomar decisões. Dá, assim, para imaginar
o nível de qualidade de nossas decisões. Com essa enorme carga de decisões a tomar, de
coisas a fazer, falar, de assuntos que ficam arquivados, pendentes, aguardando alguma
utilidade, alguma solução, explicação ou simplesmente um apagar, com tudo isto criamos
o que chamo de indigestão mental. Você já parou para pensar na quantidade de tempo
gasto em coisas que nunca nos ajudam, só atrapalham, nos mantendo sempre
"ocupados", diante de alguma tarefa impossível? Que estresse!!
Pensar é o que nos diferencia no mundo. É uma forma de identidade, um jeito de
"ver", criticamente, como nos conectamos, como nos percebemos no mundo. Se não
penso, fico repetindo coisas, fazendo-as de maneira induzida, sem consciência e
consistência. Na realidade, quando deixamos de pensar, deixamos de viver, de uma forma
que não faz mais sentido viver.
Mas pensar esbarra em uma coisa muito mais importante: o tempo. Faz algum tempo, li na
revista "Veja" que Oded Grajew tinha deixado de ser executivo e estava se
dedicando só à Abrinq. Ele estava morando em um apartamento no qual continha o
estritamente necessário para a sua sobrevivência, e agora ele estava muito bem, porque
tinha tempo, e estava curtindo ter esse tempo.
E então pensei e senti inveja. Ter tempo... Há quanto tempo não temos noção do tempo?
Nós, que falamos tanto de gerenciamento, de negociação e qualidade, precisamos usar
essas habilidade a nosso favor. Ou seja, é fazer uma negociação com o nosso
autogerente, e com muita disciplina determinarmos um tempo diário para nossa digestão
mental. A falta disto, sempre com o tempo, nos levará a uma constipação mental, que tem
como conseqüência direta a perda de memória, a confusão de idéias, a diminuição da
criatividade, o estresse negativo, que é o caminho descendente da qualquer carreira.
Sucesso e estresse caminham em direções opostas. Aliás, o estresse negativo está na
contramão da vida.
Vendo por dentro, o bom perguntador
Você já fez terapia ? Você sabe por que as pessoas fazem terapia? Você sabe por
que muitas pessoas dizem que não precisam de terapia? Se você nunca fez terapia, ou se
já fez, ou se está fazendo, esta reflexão é válida para todos: o terapeuta não lhe
dá as respostas que você procura, mas as perguntas que você precisa. O terapeuta não
é um conselheiro. O bom terapeuta é um bom perguntador.
Perguntas bem orientadas levam você a ter insights , a ter catarses, a vislumbrar
a tal luz no fim do túnel.
Você sabia que existem pessoas que fazem terapia há anos e que acham o dinheiro pago por
elas o mais bem gasto de suas vidas? Você sabe por que? Porque elas não têm a
disciplina de dar um tempo diário a si próprias para pensar, para digerir. Esta
indigestão mental faz com que elas sintam: aperto no peito, peso nas costas, cansaço,
confusão, perdas, temor, solidão, etc. Este mal estar as leva a procurar ajuda. Algumas
pessoas precisam se isolar para digerir. Outras precisam dormir e acordam com tudo
resolvido. Outras precisam falar, precisam de um amigo, um confidente, um cúmplice para
ouvir.
Com qual dessas formas de digestão mental você se identifica? (Já pensou?)
Na realidade, todos nós acabamos por usar os três tipos de digestão, dependendo da
quantidade e da qualidade dos pensamentos que precisamos digerir. E isto funciona muito
como uma digestão alimentar. Dependendo do que você vai ter que digerir mentalmente e
dependendo do seu estado emocional (o estado emocional tem uma grande influência em
qualquer processo de digestão), você tem de estar atento ao seguinte:
Nesse processo de digestão, saber selecionar, saber identificar e separar o que é
nutritivo do que é toxico, saber aproveitar o que é útil e desprezar o que não vai
levar a nada é o mais importante e o mais difícil para algumas pessoas. Muitos acabam
desprezando o bom, e ficam só com o destrutivo, com o negativo. Esses são os grandes
reclamadores, os pessimistas, os que não sabem transformar a crise em oportunidade.
Esses infelizes (não há outro termo) são aqueles que usam a avaliação para
desmotivá-los, que não conseguem absorver o melhor das situações: ou seja, o
aprendizado.
Portanto, saber perguntar pode ajudá-lo no processo de digestão. Funciona como enzimas.
As perguntas (assim como as enzimas) vão caminhando por entre as idéias, os pensamentos,
e vão selecionando, focando, sistematizando, organizando, juntando e separando,
desprezando, deletando, solvendo e resolvendo. Eis os grandes facilitadores do processo de
digestão mental.
Precisamos das perguntas certas, as bem direcionadas, sem autopiedade, sem
autoflagelação, sem perfeccionismo, sem pessimismo, sem pré-julgamento, sem
negativismo. Precisamos perceber que todo o processo é único e leva sempre a um
aprendizado, a um experimento, a uma nova experiência e vivência. Por isso a vida tem
graça, e há pessoas que se entusiasmam com a possibilidade de o homem chegar a viver120
anos, enquanto outras simplesmente perguntam: para que viver tanto?
Mãos à obra
Saber fazer perguntas é uma arte. Porque você consegue coisas incríveis em vendas,
em treinamento, em entrevistas, em pesquisa, em conhecimento. Agora, saber fazer perguntas
a si mesmo é a solução para você conseguir se automotivar, aumentar a sua auto-estima,
equilibrar o estresse, aprofundar o autoconhecimento e conseguir colocar sua carreira em
ascensão.
Aqui vão três baterias de perguntas. E lembre-se: o importante não é ter as respostas,
mas sim as perguntas, porque você é a resposta, você é a solução.
Perguntas para serem feitas no inicio do seu dia, para ajudá-lo a abrir o arquivo
certo logo cedo, para alimentar o seu bom humor, o seu entusiasmo e fazer com que você
saia bem disposto para o primeiro dia do resto de sua vida:
Perguntas para serem feitas à noite, antes de dormir:
Como resolver problemas com perguntas :
Qual é o meu problema?
O que é mais grave em relação ao meu problema?
O que precisa acontecer para a situação ficar como eu desejo?
O que você pode fazer?
O que você já esta fazendo?
O quanto este problema já melhorou?
Como você pode tirar proveito desta situação enquanto ela não se resolve?
O que você tem que aprender com esta situação?
Critique , mais tente . Espero o seu feedback . Até a próxima.