Aprendendo a aprender
Já aconteceu de você ligar o carro e sair andando, só para
descobrir mais tarde que o freio de mão estava puxado? O sociologista Kurt Lewin
desenvolveu um conceito chamado "Análise das Forças de Campo". Desta forma,
ele descreve dois tipos de força: forças de freio (que desencorajam avanços) e forças
de aceleração (que encorajam o avanço).
Algumas pessoas passam pela vida com o freio de mão puxado, presas, com atitudes de
procrastinação, medo e pensamentos negativos. Outras pessoas soltam o freio e avançam
de maneira positiva, lógica e confiante. Destes dois tipos, quem você acha que é
mais feliz e vitorioso?
Al Siebert, autor de The Survivor Personality (A Personalidade do Sobrevivente,
ainda sem tradução no Brasil), descobriu que os sobreviventes (pessoas que se envolvem
sem querer em grandes desastres) ganham forças com a adversidade. "É a forma que
uma pessoa reage às situações que determina sua sobrevivência", diz Siebert. As
características de alguém com grandes chances de sobreviver num desastre são:
- Flexibilidade
: a capacidade de se adaptar sem
quebrar.
- Senso crítico
: uma grande vontade de que as coisas
funcionem corretamente. Pouca tolerância a coisas que estão erradas.
- Empatia
: capacidade de identificar os sentimentos,
pensamentos e atitudes das outras pessoas.
- Criatividade
: a habilidade de resolver problemas
usando a imaginação.
- Resistência
: o poder de voltar a ficar em pé, mesmo
quando derrubado várias vezes.
- Curiosidade
: vontade de saber, aprender e
compreender.
Note que estas mesmas características podem
perfeitamente descrever uma pessoa de sucesso. Aliás, todo mundo concorda que o mundo
está mudando, mas o que é realmente necessário saber para obter o sucesso?
Além da resistência (já falamos antes sobre o "Quociente de Adversidade"),
talvez o mais importante de tudo seja a curiosidade o aprender a
aprender. Como disse James Michener, "os mestres na arte de viver fazem poucas
distinções entre emprego e diversão, entre trabalho e lazer, entre mente e corpo. Eles
simplesmente perseguem a visão de excelência no que quer que seja que decidam fazer,
deixando os outros, espectadores, decidir se estão trabalhando ou se divertindo. Para os
mestres, essas duas coisas estão sempre juntas."
Vejamos então algumas dicas para você checar seu freio
de mão, desenvolver o "aprender a aprender", e tornar-se um mestre no que faz:
- Valorize conhecimentos não técnicos
: Se
o futuro é menos previsível do que era antes, habilidades lógicas e analíticas já
não são mais suficientes para garantir o sucesso. Num ambiente de incertezas, a
imaginação e a flexibilidade passam a ter cada vez mais valor. Por isso, estudos
sociais são cada vez mais relevantes: assuntos com filosofia, história e
literatura nos ensinam a interpretar uma informação e argumentar a favor ou contra um
ponto de vista. Na verdade, pensar diferente muitas vezes não é nada mais do
que reagrupar conhecimento de novas formas. Mas para isso é necessário ter esse
conhecimento antes.
- Questione procure novos ângulos
: Ser curioso
e questionador é algo pouco enfatizado nas escolas e muito menos nas empresas.
Sindri Anderson, que já foi diretora de treinamento e desenvolvimento da Levi Strauss
& Co., cita casos em artigo da revista Fast Company de treinamento em boates, galerias
de arte, onde quer que seus clientes estivessem. Armados de câmeras digitais e
gravadores, os gerentes de produto da empresa coletavam informações diretamente na
fonte. Não dá para pedir criatividade dos seus funcionários se o treinamento é feito
sempre igual, quadradinho, numa sala sem janelas, com ar-condicionado e luz artificial.
Como diria um filósofo empresarial, você tem que sair e deixar as oportunidades
atingi-lo.
- Sintonia fina constante
: Aprender deixou de ser um
evento. Tanto que os departamentos de RH antes pensavam em número de bundas na cadeira,
em alguma sala de treinamento da empresa ou hotel. O treinamento era dado e pronto
que venha a próxima turma. Continuidade, nem pensar não havia nem tempo nem
dinheiro para isso. Mensuração de resultados práticos somente em casos raríssimos.
Numa fábrica você não fica esperando que um produto
defeituoso chegue ao final da linha de produção para ser rejeitado. Existem vários
controles de processo que avisam ao menor sinal de desvio. Mas nossa educação não tem
sido assim. Na empresa, o treinamento estará diretamente vinculado a resultados. Assim, a
forma de medir o sucesso do treinamento estará diretamente relacionada a resultados
financeiros ou de performance. Cursos que não se traduzam em satisfação do cliente,
lucro, crescimento ou retenção de talento (diminuição do turn over) serão cada
vez menos estimulados.
- Prefira a substância
: Você tem que entender de
tecnologia. Sem dúvida alguma, grandes novidades serão lançadas nos próximos anos que
revolucionarão a maneira pela qual aprendemos a forma em que processamos,
arquivamos e posteriormente utilizamos as informações arquivadas. Mas cuidado: todos
temos a tendência a apaixonar-nos pelo brilho pelo que está na moda,
pelo que todo mundo está comentando. Todavia, na hora de trabalhar realmente, as pessoas
não querem brilho querem conteúdo, substância, conhecimento de
preferência, organizado de forma que a informação sendo procurada seja encontrada de
maneira fácil e rápida.
Muita gente enfatiza mais as ferramentas caras do que os
resultados. O segredo é aproveitar a quantidade enorme de consultores
disponíveis gratuitamente: seus colegas, a Internet, listas de discussão. E o melhor de
tudo é que essas ferramentas gratuitas permitem a atualização contínua é
fácil saber o que está funcionando e o que não está. Importante mesmo é aprender.
- Comunicação eficaz
: Quando problemas surgem numa
empresa, raramente é porque não existia informação suficiente, e sim porque ela não
foi comunicada corretamente. Por isso é fundamental saber trabalhar em grupo: além de
saber trabalhar com a informação e usá-la para tomar decisões, você precisa também
entender as perspectivas das outras pessoas - como elas se comunicam e como tomam
decisões
- Conhece a ti mesmo
: Você conhece suas fraquezas?
Você está disposto a aceitá-las e admiti-las? O que tem freado sua vida, impedindo-o de
viver exatamente da forma que gostaria? Quando você é honesto consigo mesmo sobre suas
fraquezas, e está disposto a dedicar-se a trabalhar para melhorá-las, você acaba
trilhando o caminho para o sucesso. Faça as perguntas certas, entenda o problema
completamente e explore o máximo de soluções possíveis que puder.
Para terminar, uma lista de máximas, retiradas de
"An Incomplete Manifest for Growth, de Bruce Mau", publicadas
originalmente na revista Fast Company (www.fastcompany.com):
- Deixe os eventos mudarem você
: Você deve estar
disposto a crescer. Crescer é diferente de algo que acontece com você: você produz o
crescimento. O pré-requisito para o crescimento é estar aberto para as experiências de
novos eventos e a disposição para ser transformado por eles.
- Capture acidentes
: a resposta errada é uma resposta
certa procurando uma pergunta diferente. Colecione respostas erradas como parte do
processo de aprendizagem. Depois faça perguntas diferentes.
- Faça perguntas estúpidas
: O crescimento é
alimentado pelo desejo e pela inocência. O importante é a resposta, não a pergunta.
Imagine passar pela vida aprendendo na velocidade em que aprendem as crianças.
- Coloque-se nos ombros de alguém
: Você pode viajar
muito mais longe carregado pelas conquistas daqueles que vieram antes de você. E a vista
é muito melhor.
- Repita-se
: Se gostou, faça de novo. Se não gostou,
experimente mais uma vez.
- Crie novas palavras
: Novas condições exigem novas
maneiras de pensar. Novos pensamentos exigem novas formas de expressão. Novas expressões
criam novas condições.
- A criatividade não depende de artefatos
: Esqueça
tecnologia. Pense com seu cérebro.
- Viaje
: O mundo é muito maior do que a tela da sua
TV, ou a Internet.
- Cometa erros mais rapidamente
: Esta idéia é
emprestada, provavelmente do Andy Grove.
- _____________________ : Esta nós deixamos
intencionalmente em branco. Deixe sempre um lugar para suas novas idéias, e as novas
idéias das outras pessoas também.
Raúl Candeloro,
é palestrante e editor da revista Técnicas de Venda®,
além de autor dos livros Venda Mais e Negócio Fechado
e responsável pelo site VendaMais® www.vendamais.com.br
candelo@zaz.com.br